A jornada da autoaceitação

Desde que comecei a tomar consciência de quem sou e quem estou me tornando, percebi que sou refém de uma autoestima baixa. Essa semana isso foi comprovado quando meu namorado sugeriu que eu baixasse o Cíngulo (estou cheia de dicas esse mês kkk) no celular, um app que analisa como estão seus níveis emocionais no momento. Para a surpresa de ninguém, o que li naquela tela era que eu não só tinha uma autoestima baixa como também estava com a autoestima frágil. Acredito ser o combo da Era Millenial.

Com esse diagnóstico, achei engraçado o fato que venho consumindo MILHARES de conteúdos sobre autoestima na internet através de @s como a da Carol Garcia, Marci Marciano, GWS nos últimos meses e que, pelo visto, isso não tem dado conta dos danos que eu mesma causo/causei aqui dentro. Danos esses que, às vezes, em brincadeiras que faço com meus amigos e namorado são o mais puro reflexo das minhas inseguranças. Não é legal se chamar de FRAUDE em relação à profissão. Eu não me sinto uma fraude e continuo brincando disso. Não é legal dizer que acho meu nariz HORROROSO quando na verdade entendi que é genética e passei a aceitá-lo há anos e me sinto tranquila com ele. Há algo errado em tudo isso.

Em relação ao meu corpo, tenho consciência de tudo o que a mídia e os padrões de beleza fazem com a nossa cabeça. Já vi vídeos de pessoas usando o photoshop para uma pessoa dentro do padrão parecer mais perfeita ainda mais de uma vez. Já presenciei e fiz parte de conversas com amigas de todos os tamanhos possíveis inconformadas com o corpo dizendo coisas como “eu queria mais bunda”, “eu queria ficar mais malhada”, “essa gordura nas minhas costas me incomoda muito”, numa conversa infinita em que ninguém apreciava o que era bonito na outra, sendo apenas um disparate sem fim de críticas. Conversas que se repetem, mesmo que em menor quantidade, mas que fazem mal a ponto de eu estar bem com o meu corpo e ainda assim sentir necessidade de criticá-lo.

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Isso chegou a um ponto que não preciso me reunir com outras pessoas para ter esse tipo de conversa depreciativa comigo mesma sobre o meu corpo, sobre quem eu sou, sobre minha postura, meus hábitos e meus interesses. Enfim, sobre a minha essência. Parece que tudo ficou passível de crítica e depende da aprovação dos outros e aqui não estou não estou fazendo alusão a redes sociais, mas tão só a vida real mesmo. O mais engraçado é que meus amigos não tem noção da profundidade dessas inseguranças. Acho que o que me mantém seguindo em frente é o fato que muitas vezes eu ligo o foda-se e ajo como eu quero diante de situações e sempre estou fazendo graça das coisas. Torna tudo mais fácil, até porque meu medidor de sucesso sempre foi e sempre será a risada dos outros.

A maior prova desse “meter o louco” seguido de comiseração que está intrínseco a mim é que eu cortei o cabelo BEM curtinho ontem e, apesar de ter AMADO na hora que vi no salão e saí na rua sentindo a brisa na nuca, eu comecei a fazer brincadeiras dizendo que estava parecendo um menino e que o meu cabelo parecia um capacete. Às vezes realmente me dá essa sensação, mas o que custa dizer que achei lindo algo que fiz por mim? Que necessidade é essa de me fazer de coitadinha para os outros virem amaciar meu ego e dizer que ficou lindo? Por que eu preciso disso? Tudo faz parte da insegurança, eu sei, mas quero achar a raiz dessas coisas.

O que quero saber diante desse texto todo é: o que preciso fazer para trabalhar essa autoestima que é tão abalável e tão baixa? Se alguém tiver uma resposta, por favor, me avisa.

Março, links e gratidão

Sem que eu me desse conta, minha vida começou a ter um tom de despedida. Entre ligações e notícias, de repente abril começou com uma promessa de muitas mudanças e de uma necessidade de organização imensa. Essa semana começo a separar meus documentos, minhas roupas, meus livros, sapatos, enfeites e tudo o que acho que preciso levar para a nova cidade. Ainda não tenho casa, ainda não tenho uma data certa para ir (o que deve mudar essa semana) nem para começar o meu trabalho, mas existe uma certeza dentro de mim que está para acontecer e que só de pensar faz o frio percorrer a minha espinha.

Semana passada foi uma das mais agitadas do meu ano. Recebi uma amiga venezuelana em casa que morou em Aracaju há dez anos e passamos a semana inteira conversando sobre relacionamentos e mudanças, saímos para curtir um pub com música ao vivo e drinks chiques com minhas amigas, fomos para a praia na sexta-feira da paixão onde consegui filmar meu namorado surfando pela primeiríssima vez, andamos de bicicleta e tomamos açaí com um amigo que voltou do México. Sem ela, ainda passei bastante tempo colada em Marcos conversando coisas importantes e curtindo cada momentinho que tivemos juntos no pub, na praia, na cinelândia, na minha casa, na casa dele…Momentos esses que observei como se estivesse fora de mim por alguns minutos, só observando com gratidão e com a certeza de que sentiria muita falta daqueles momentos e daquelas pessoas quando tivesse que ir embora.

Em contrapartida, a esperança que vem com tudo o que é desconhecido e novo dá um ânimo gigante. Março foi um mês longo, onde vivi uma repetição de dias sem fim que sofreu uma quebra graças a necessidade que senti de fazer coisas novas de um jeito urgente e me envolvi até em situações sociais que geralmente me dão preguiça (festa/balada/não sei qual é o termo que se usa mais). Sei que depois da novidade, virá a calmaria e que a calmaria é necessária apesar da gente não saber muito bem o que fazer com ela. A Manie escreveu um texto sobre isso e a Jout jout fez um vídeo excelente também sobre o que fazer depois que a paixão passa (e essa é uma metáfora para tudo na vida). A Elena Ferrante escreveu um texto sobre como o sinal de pontuação que ela menos gosta é a exclamação e todo o exagero desnecessário que vem com ele. Também enxerguei mais uma metáfora sobre como a gente superestima os sentimentos agudos de alegria e tristeza e esquece como o simples sentir do dia a dia deveria ser mais valorizado.

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Falando em gratidão, passei a adotar algumas posturas diferentes na minha vida e queria compartilhar três aplicativos legais no celular. O primeiro, pasmem, é o aplicativo da Bíblia. Nunca me entendi como uma pessoa religiosa, pois sempre fiquei distante de igrejas em geral e as vezes que compareci e não dormi (pois é), foram em momentos que envolviam vestidos de noiva e um monte de flores. Entretanto, acho que recebi um chamado. De repente, a Palavra de Deus começou a me interessar muito e decidi que queria começar a ler a Bíblia para ver se aquilo faria sentido pra mim. Quer dizer, eu sempre acreditei em Deus e na sua força, mas de repente o ditado o tempo de Deus é perfeito começou a fazer muito sentido na minha vida e resolvi dar uma chance para um dos livros mais antigos (se não o mais antigo?) do mundo. O aplicativo é maravilhoso e manda um versículo por dia onde você pode ler só ele ou ler o capítulo inteiro. Os ensinamentos são sensacionais e a sensação de paz depois de ler é indescritível.

O segundo aplicativo é o Motivação do dia que já tem um nome autoexplicativo e manda uma mensagenzinha pra gente se motivar quando as coisas parecem difíceis ou nebulosas demais. É bem legal e tem dado um gás a mais no meu dia a dia.

 

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O terceiro se chama Reflectly e é um app em que você anota algumas coisas importantes do seu dia e faz um tracking bem fofo de como tem sido seu humor e os momentos que tem vivido. Em paralelo a isso, eles tem também uma página no instagram 100% motivacional com dizeres de alguns famosos antigos e atuais (Beyoncé, Will Smith, Oprah, Einstein, Mark Twain…). É sempre um momento de reflexão agradável quando você esbarra com um quote no meio do dia.

 

Para Marcos

Há dias tento escrever um texto sobre nós, mas sinto que nada consegue fazer jus ao que temos. Acho que minhas palavras são pobres e toscas pra representar a riqueza que sinto em ter você na minha vida. Sinto sorte, amor, alegria, ternura, doçura, aprendizado, novidades e uma segurança enorme contigo, então fico meio sem saber o que dizer que ainda não tenham dito nas músicas, livros e textos da internet.

Li um texto hoje mais cedo que jogava as seguintes perguntas “o que fez com que você fosse no segundo encontro?” e “o que te fez apaixonar?” e voltei para outubro de 2016. Acho que a decisão de continuar saindo com você foi muito fácil porque parecia que tudo que remetia a gente era a coisa certa a acontecer. Desde o dia do nosso primeiro beijo eu sabia que a gente tinha uma química boa, um abraço que encaixava mesmo a gente tendo uns bons 30 cm de diferença, que sua companhia era engraçada e animada, além de ficar claro que, assim como eu, você tinha um coração aberto para o amor na mesma intensidade que eu tinha, então não precisei dosar o sentimento em nenhum segundo. Quando você começou a escrever poesias e me mandar vídeos tocando violão, eu soube que em pouco tempo estaria completamente na sua.

outubro/2016

Há quem ache que tudo aconteceu rápido demais entre a gente e pode até ser que sim, mas em nenhum momento sinto que apressamos as coisas, apenas as deixamos acontecer da forma que funcionavam para nós. Nosso primeiro encontro foi de uma transparência incrível, tão grande que toda vez que passo pela árvore que sentamos e tocamos violão juntos consigo enxergar a gente. Eu com vergonha, você tocando Jack Johnson e SOJA, aquele homem que parou a gente pra pedir o violão emprestado e tocava divinamente bem e depois a gente indo comer torta de macaxeira com carne de sol em uma tenda simples ali perto. Foi lindo e memorável, então dar uma chance para um segundo encontro, dias depois, não foi algo que pensei muito, só falei “venha” e você foi com aquele casaco azul após um dia cansativo de trabalho me ver e ficamos abraçados naquele sofá do play na casa de Marília, tão juntos quanto podíamos em um espaço público e ali eu senti que seu abraço era um lugar muito gostoso de se estar. Um sentimento que continuou se repetindo até estarmos aqui 1 ano e meio depois.

março/2018

Com o passar do tempo eu venho descobrindo cada vez mais coisas sobre você e cada detalhe seu me faz querer ficar aqui e construir isso que a gente tem. Por você trazer coisas novas, por você ser simples, por você estar sempre se jogando de coração em tudo o que faz, por você enfrentar as dificuldades com bravura, pelo seu beijo, abraço, tudo. Por você me respeitar e me fazer enxergar tudo o que posso melhorar se eu quiser mesmo quando não diz nada, apenas agindo de acordo com o que acredita.

A vida ao seu lado é tão mais legal, amor.

Fica por aqui. Eu te amo muito.

Com amor,
Larissa

Sobre a minha compulsão por doces

Eu como compulsivamente. Sou viciada em doces, balas, bolos, refrigerantes e há dias em que, infelizmente, tenho todo esse tipo de comida aqui em casa e como tudo num surto no final da tarde. Geralmente começa às 15h com um vício que tenho de tomar café, mas o problema mesmo começa às 16:30h. Quando bate esse horário, tenho um desejo incontrolável de comer misturado com o calor e uma angústia existencial internalizada sobre o que estou fazendo da minha vida e começo a me perguntar qual é a minha relevância nesse plano. Parece besteira, mas depois que você passa dois meses em casa sem respostas concretas do que você apostou para o seu futuro, os dias começam a ficar desesperadores.

Então eu como. Eu como muito e depois me sinto mal fisicamente e emocionalmente. Meu estômago é sensível e começa a doer, depois começo a suar e só então vem a culpa. A culpa por estar entupindo meu corpo de alimento processado que eu tenho noção que faz mal para o seu funcionamento. Tenho culpa quando enxergo a celulite na minha perna, tenho culpa quando abro a avaliação física que fiz em janeiro e constava que eu tinha 10 kg de gordura acima do que é considerado saudável e que essa gordura tá presa no lugar mais difícil de sair: o abdômen. Tenho culpa quando como tanto e vou na academia sem força nenhuma para continuar os exercícios ou acompanhar as aulas de fitdance. Tenho culpa 24h por dia e me sinto exausta. Vivo com sono, vivo cansada, vivo sem paciência e, na maioria das vezes, triste.  Triste por não conseguir controlar esses impulsos. Triste por ler e saber tanto sobre as coisas que eu como que vão me fazer mal a longo prazo e mesmo assim não conseguir dar um basta de verdade. Triste por acordar determinados dias e dizer “só vou comer doce 3x na semana em pequenas porções” e acabar comendo TODOS OS DIAS porções imensas.

Isso não é uma luta contra a balança. Isso é uma luta contra a minha cabeça, meus hábitos, meus impulsos, meus medos, doenças crônicas, doenças genéticas e tudo o que vai além do “perder peso”. É uma batalha diária e essa batalha dói.

Fragmentos #1

Escolher enxergar a vida por uma ótica mais poética é um exercício muito gostoso que todo mundo deveria fazer de vez em quando. De repente, coisas que estavam ali na sua frente desde sempre começam a ser notadas de uma forma muito intensa. O balançar das folhas das árvores, a noção do quanto seu cacto cresceu, o céu que se põe cor-de-rosa no horizonte, as formigas que fazem fila até chegar no doce que você esqueceu na mesa. Parece que o mundo começa a girar em câmera lenta e você pode se dar o luxo de ficar ali parado por alguns minutos observando como a vida funciona fora da sua cabeça. Em coisas absolutamente pequenas você começa a enxergar uma beleza extraordinária e começa a ser grato por poder presenciar esses pequenos milagres diários.

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Recentemente, tenho visto muitos episódios de Grey’s Anatomy um atrás do outro. Sei que esse seriado vai trazer muitas desgraças daqui pra frente e sei também que meu coração será partido um milhão de vezes, mas mesmo assim eu decidi dar uma segunda chance. Se tanta gente fala tanto sobre ele, é porque existe um motivo. O que me agrada é a semelhança daqueles personagens com a vida real. Eu não enxergo personagens, enxergo pessoas que se embolam em um monte de mentiras achando que as coisas vão passar e não vai ser um problema ter mentido ou omitido questões, tentando levar um dia após o outro com seus problemas pessoais e familiares enquanto estão tentando salvar a vida de outras pessoas. É um seriado muito intenso. Ainda bem.

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Não consigo escolher um tema que me agrade no blog a ponto de deixar o suficiente para que vocês consigam reconhecê-lo assim que o abrem. Sei que esse troca-troca é chato, mas eu preciso me sentir em casa para conseguir escrever mais e preciso que ele traga a simplicidade que estou procurando na minha vida e nos meus dias. Talvez ter colocado o nome de uma cor no título do blog não tenha me ajudado muito, mas é isso aí. Se eu começar a colocar cores amarelas, vermelhas e azuis, saibam que pink ainda é minha cor.

 

 

Amizades de internet e conexões

Sou muito prolixa na hora de descrever certos acontecimentos. Acontece que eu estava há dias tentando escrever toda a experiência que foi poder encontrar minhas amigas de internet™ em São Luís do Maranhão, mas a forma que relato os fatos é quase como se eu quisesse pegar todo e qualquer detalhe que eu lembrasse e escrever ali. Queria dizer que é porque eu não queria perder nenhum acontecimento, mas 6 meses depois esses detalhezinhos tão valiosos começaram a embaralhar na cabeça então nem sei muito bem mais a ordem que algumas coisas que aconteceram, então resolvi falar de uma forma geral sobre todo o sentimento que esse encontro com as meninas me trouxe.

Um encontro da Máfia é algo que agarra o sentimento do mundo todo e transforma o momento em um universo paralelo onde nada mais importa além da amizade. Os namorados são segundo plano e os problemas da vida real não são o maior foco, tão comuns em mesas de bar. Como temos tão pouca chance de estarmos todas habitando o mesmo lugar, estamos ali apenas para celebrar a nossa amizade da forma mais pura possível. Quer dizer, não há outra opção quando sete mulheres de estados diferentes não pensam duas vezes antes de comprar a passagem para estar presente no casamento de uma amiga, tornando o momento uma cena digna de cinema.

Chegar em São Luís foi fácil. Difícil foi esperar as meninas aparecerem no desembarque para me receber. Eu passei 4 anos me comunicando com elas estritamente via redes sociais (whatsapp, facebook e twitter), já tinha ouvido áudio, visto vídeos, mas nada te prepara para o encontro cara a cara. Por um momento achei que tivesse vivido um sonho durante esses quatro anos e que eu estava lá à espera de ninguém porque elas tiveram contratempos e demoraram pra chegar no aeroporto, mas assim que a gente se encontrou, já foi uma alegria besta. Confesso que não foi fácil me acostumar. Às vezes parecia que eu tinha sido jogada no meio de um grupo de amigas se conheciam melhor a mais tempo e por diversas vezes tive a sensação que estava sendo incômoda. O primeiro dia foi todo regado nesse tom pra mim, mesmo quando elas colocaram Sandy e Júnior para tocar e pude cantar junto com elas. A primeira quebra de gelo que tive foi quando Deyse precisou de alguém para dirigir o outro carro porque o primeiro já estava cheio e, veja só, eu disse “eu tenho carteira”. Se alguém me perguntasse o que eu estava fazendo também não saberia dizer, mas eu queria me sentir útil em alguma coisa e foi assim que às 22h (23h?) eu peguei o carro e dirigi em São Luís do Maranhão acompanhada da Passarinha (Paloma) que me deu o maior apoio o caminho todo.

A segunda quebra de gelo veio na hora de decidir quem ia dormir e onde porque, regra dos encontrões, todas dormem no mesmo quarto e de preferência na mesma cama. Entrei em estado de nervos também porque não queria incomodar ninguém e me colocaram para dividir colchão com a Tary. Acho que fiquei tão nervosa com a situação que do mesmo jeito que deitei, acordei HAHAHA. Depois disso, eu já estava me sentindo um pouco em casa. Quando fui tomar café-da-manhã, os namorados das meninas já estavam tomando o café deles e conversei com eles. Aparentemente os ANOS de engenharia me deixaram mais confortável para quebrar o gelo conversando com os meninos do que com as meninas (o que é ridículo porque elas são maravilhosas).

Daí fomos para o nosso dia de princesa no salão de beleza. Eu nunca fui muito fã de salões, mas aquele lugar tornou tudo especial porque foi ali que me senti em casa pela primeira vez. Foi ali que senti uma alegria tão forte que parecia que ia sair do meu peito. Tínhamos robes floridos com nossos nomes escritos e me senti muito abençoada por ter aquelas amigas na minha vida. Tiramos fotos, brincamos umas com as outras, conversamos. Eu fui mais vulnerável e mais feliz do que nunca.

Foi também um dos dias que me senti mais bonita na minha vida. Até então não tinha conhecido o poder uma maquiagem bem feita. De lá pra frente foi só alegria. Vestidos coloridos, flores e sorrisos. Fomos para o casamento da Dedê que, diga-se de passagem, foi uma das coisas mais mágicas que já vivi. Só faltou subir os créditos no final porque parecia um filme de comédia romântica. A vista para o mar, o entardecer, as flores, as meninas, foi tudo perfeito. Inclusive o show da Natália Leite com um monte de músicas atuais em tom de forró e muita tequila, por favor. Fomos dormir acabadas e acordamos todas vestindo nossos robes e prolongando aquele momento especial.

No terceiro dia fomos para a praia, o que também trouxe momentos maravilhosos de 8 sereias completamente felizes e renovadas com a vida. Após isso almoçamos e conversamos HORRORES e daí começaram a se dar algumas despedidas. Um momento muito triste e cruel de calling para a vida real. No último dia só tínhamos eu, a Tary e Dedê e demos uma volta em lugares turísticos e comemos mariscos na praia para fechar aquele final de semana incrível.

Escrevendo sobre isso agora e vendo as fotos, eu gostaria de voltar em setembro do ano passado mesmo com toda a turbulência que estava vivendo porque sei que reviver todos os momentos valeria à pena. A vida pós-encontrão é um pouco difícil de assimilar. Tão difícil que demorei meses para poder escrever um texto definitivo sobre essa experiência. Se eu pudesse dar alguns conselhos para todo mundo, seriam conheçam seus amigos da internet ao vivo. É uma experiência única e maravilhosa. Além disso, tenham migas. Elas são o que fazem tudo o que foi vivido ter um sentido maior. E, por último, estejam abertos para conhecer novas pessoas através do world wide web.

 

Do coração

Certa vez alguém me disse que as experiências que mais nos machucam são aquelas que moldam o nosso caráter e nos ensinam quem somos nessa vida. Eu passei meses tentando bater na tecla que era possível aprender só pelo amor e que a vida não precisava doer tanto. Ledo engano: tudo o que sou hoje é resultado das partes mais doloridas de mim. Da parte em que tive que reaprender a andar depois da cirurgia da coluna. Da parte em que eu chorava no banheiro da universidade por causa de uma nota baixa ou porque me sentia injustiçada por um professor. Da parte em que tive que ouvir ou saber de outras pessoas que elas me subestimavam. Da parte em que eu implorava para alguém me amar de volta. Da parte em que soube que eu machuquei tanto alguém que amava. Da parte em que me dei conta de que deixei um amigo na mão. Das tantas partes em que parei olhando para o teto pensando se a vida era aquilo mesmo…

Não são, entretanto, nos momentos em que estamos vivendo essas partes que a gente se dá conta da importância delas. É depois. É com aquilo que restou de nós depois de termos sido devastados. É naquela parte em que a gente junta os cacos e diz que aquilo não vai acontecer de novo que a gente encontra forças pra se reconstruir.

Falamos com frequência que estamos em construção, mas prefiro acreditar que muito do que a gente vai se tornando é vindo de uma reconstrução. A vida bate e abala suas estruturas, cai um tijolo aqui ou desloca uma coluna ali, e nós temos todo um esforço para conseguir colocar tudo no lugar. Às vezes a gente até precisa derrubar uma parte da primeira estrutura para recriar algo maior e melhor. É assim que a gente é. É assim que eu sou. Tudo isso para dizer que não há salvação. Viver é muito mais do que acontece na nossa cabeça e do que a gente enxerga. Aos poucos a gente se torna aquilo que quer ser sem nem perceber.

“Ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana” disse Carl Jung e sigamos todos juntos aprendendo a nos reconstruir com o que a vida fez de nós.