Amizades de internet e conexões

Sou muito prolixa na hora de descrever certos acontecimentos. Acontece que eu estava há dias tentando escrever toda a experiência que foi poder encontrar minhas amigas de internet™ em São Luís do Maranhão, mas a forma que relato os fatos é quase como se eu quisesse pegar todo e qualquer detalhe que eu lembrasse e escrever ali. Queria dizer que é porque eu não queria perder nenhum acontecimento, mas 6 meses depois esses detalhezinhos tão valiosos começaram a embaralhar na cabeça então nem sei muito bem mais a ordem que algumas coisas que aconteceram, então resolvi falar de uma forma geral sobre todo o sentimento que esse encontro com as meninas me trouxe.

Um encontro da Máfia é algo que agarra o sentimento do mundo todo e transforma o momento em um universo paralelo onde nada mais importa além da amizade. Os namorados são segundo plano e os problemas da vida real não são o maior foco, tão comuns em mesas de bar. Como temos tão pouca chance de estarmos todas habitando o mesmo lugar, estamos ali apenas para celebrar a nossa amizade da forma mais pura possível. Quer dizer, não há outra opção quando sete mulheres de estados diferentes não pensam duas vezes antes de comprar a passagem para estar presente no casamento de uma amiga, tornando o momento uma cena digna de cinema.

Chegar em São Luís foi fácil. Difícil foi esperar as meninas aparecerem no desembarque para me receber. Eu passei 4 anos me comunicando com elas estritamente via redes sociais (whatsapp, facebook e twitter), já tinha ouvido áudio, visto vídeos, mas nada te prepara para o encontro cara a cara. Por um momento achei que tivesse vivido um sonho durante esses quatro anos e que eu estava lá à espera de ninguém porque elas tiveram contratempos e demoraram pra chegar no aeroporto, mas assim que a gente se encontrou, já foi uma alegria besta. Confesso que não foi fácil me acostumar. Às vezes parecia que eu tinha sido jogada no meio de um grupo de amigas se conheciam melhor a mais tempo e por diversas vezes tive a sensação que estava sendo incômoda. O primeiro dia foi todo regado nesse tom pra mim, mesmo quando elas colocaram Sandy e Júnior para tocar e pude cantar junto com elas. A primeira quebra de gelo que tive foi quando Deyse precisou de alguém para dirigir o outro carro porque o primeiro já estava cheio e, veja só, eu disse “eu tenho carteira”. Se alguém me perguntasse o que eu estava fazendo também não saberia dizer, mas eu queria me sentir útil em alguma coisa e foi assim que às 22h (23h?) eu peguei o carro e dirigi em São Luís do Maranhão acompanhada da Passarinha (Paloma) que me deu o maior apoio o caminho todo.

A segunda quebra de gelo veio na hora de decidir quem ia dormir e onde porque, regra dos encontrões, todas dormem no mesmo quarto e de preferência na mesma cama. Entrei em estado de nervos também porque não queria incomodar ninguém e me colocaram para dividir colchão com a Tary. Acho que fiquei tão nervosa com a situação que do mesmo jeito que deitei, acordei HAHAHA. Depois disso, eu já estava me sentindo um pouco em casa. Quando fui tomar café-da-manhã, os namorados das meninas já estavam tomando o café deles e conversei com eles. Aparentemente os ANOS de engenharia me deixaram mais confortável para quebrar o gelo conversando com os meninos do que com as meninas (o que é ridículo porque elas são maravilhosas).

Daí fomos para o nosso dia de princesa no salão de beleza. Eu nunca fui muito fã de salões, mas aquele lugar tornou tudo especial porque foi ali que me senti em casa pela primeira vez. Foi ali que senti uma alegria tão forte que parecia que ia sair do meu peito. Tínhamos robes floridos com nossos nomes escritos e me senti muito abençoada por ter aquelas amigas na minha vida. Tiramos fotos, brincamos umas com as outras, conversamos. Eu fui mais vulnerável e mais feliz do que nunca.

Foi também um dos dias que me senti mais bonita na minha vida. Até então não tinha conhecido o poder uma maquiagem bem feita. De lá pra frente foi só alegria. Vestidos coloridos, flores e sorrisos. Fomos para o casamento da Dedê que, diga-se de passagem, foi uma das coisas mais mágicas que já vivi. Só faltou subir os créditos no final porque parecia um filme de comédia romântica. A vista para o mar, o entardecer, as flores, as meninas, foi tudo perfeito. Inclusive o show da Natália Leite com um monte de músicas atuais em tom de forró e muita tequila, por favor. Fomos dormir acabadas e acordamos todas vestindo nossos robes e prolongando aquele momento especial.

No terceiro dia fomos para a praia, o que também trouxe momentos maravilhosos de 8 sereias completamente felizes e renovadas com a vida. Após isso almoçamos e conversamos HORRORES e daí começaram a se dar algumas despedidas. Um momento muito triste e cruel de calling para a vida real. No último dia só tínhamos eu, a Tary e Dedê e demos uma volta em lugares turísticos e comemos mariscos na praia para fechar aquele final de semana incrível.

Escrevendo sobre isso agora e vendo as fotos, eu gostaria de voltar em setembro do ano passado mesmo com toda a turbulência que estava vivendo porque sei que reviver todos os momentos valeria à pena. A vida pós-encontrão é um pouco difícil de assimilar. Tão difícil que demorei meses para poder escrever um texto definitivo sobre essa experiência. Se eu pudesse dar alguns conselhos para todo mundo, seriam conheçam seus amigos da internet ao vivo. É uma experiência única e maravilhosa. Além disso, tenham migas. Elas são o que fazem tudo o que foi vivido ter um sentido maior. E, por último, estejam abertos para conhecer novas pessoas através do world wide web.

 

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Do coração

Certa vez alguém me disse que as experiências que mais nos machucam são aquelas que moldam o nosso caráter e nos ensinam quem somos nessa vida. Eu passei meses tentando bater na tecla que era possível aprender só pelo amor e que a vida não precisava doer tanto. Ledo engano: tudo o que sou hoje é resultado das partes mais doloridas de mim. Da parte em que tive que reaprender a andar depois da cirurgia da coluna. Da parte em que eu chorava no banheiro da universidade por causa de uma nota baixa ou porque me sentia injustiçada por um professor. Da parte em que tive que ouvir ou saber de outras pessoas que elas me subestimavam. Da parte em que eu implorava para alguém me amar de volta. Da parte em que soube que eu machuquei tanto alguém que amava. Da parte em que me dei conta de que deixei um amigo na mão. Das tantas partes em que parei olhando para o teto pensando se a vida era aquilo mesmo…

Não são, entretanto, nos momentos em que estamos vivendo essas partes que a gente se dá conta da importância delas. É depois. É com aquilo que restou de nós depois de termos sido devastados. É naquela parte em que a gente junta os cacos e diz que aquilo não vai acontecer de novo que a gente encontra forças pra se reconstruir.

Falamos com frequência que estamos em construção, mas prefiro acreditar que muito do que a gente vai se tornando é vindo de uma reconstrução. A vida bate e abala suas estruturas, cai um tijolo aqui ou desloca uma coluna ali, e nós temos todo um esforço para conseguir colocar tudo no lugar. Às vezes a gente até precisa derrubar uma parte da primeira estrutura para recriar algo maior e melhor. É assim que a gente é. É assim que eu sou. Tudo isso para dizer que não há salvação. Viver é muito mais do que acontece na nossa cabeça e do que a gente enxerga. Aos poucos a gente se torna aquilo que quer ser sem nem perceber.

“Ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana” disse Carl Jung e sigamos todos juntos aprendendo a nos reconstruir com o que a vida fez de nós.

Sobre seguir o meu caminho

Desde que era adolescente, tinha muito certo na minha cabeça que em algum momento eu iria morar longe dos meus pais e isso nunca foi uma grande questão para mim. Quer dizer, meus pais me criaram assim, morando longe de suas respectivas famílias (meu pai é mineiro e minha mãe é cearense) e criando um círculo sólido de amizades por onde passavam. Meu pai é violeiro, adora meter as caras na churrasqueira e tomar uma cachacinha com os amigos e minha mãe adora receber pessoas em casa, ajudar os amigos com suas questões e jogar um baralho de vez em quando. Desde que me lembro por gente foi assim e nada mudou nesse quesito.

Em paralelo a essa sabedoria, eu sempre tive medo da solidão. De não me encaixar. Ao contrário dos meus pais, eu não tenho muito costume de estar criando ambientes para receber amigos em casa ou mandando mensagens chamando o pessoal para sair. Eu só acho que todas as pessoas já tem algo programado e isso acaba sendo o ponto principal para me afastar dos meus amigos ou até mesmo de situações que vou conhecer pessoas novas. E esse é um ponto-chave quando começo a pensar nessas mudanças para lugares longe onde não conheço ninguém.

Em 2014, como um sopro, concorri a uma bolsa para realizar uma pesquisa na área de soldagem na Alemanha e fui selecionada. A seleção aconteceu em junho e fui para lá em agosto. Não tive tempo para pensar em amigos, aventuras, me preparar para a cidade que eu ia, muito menos o país. Fechei os olhos e apenas fui com uma coragem que não sei dizer de onde tirei. Vivi grandes momentos, conheci pessoas fofas e bondosas, ajudei muito e fui ajudada em troca, aprendi a lidar com uma língua dificílima e viajei para vários lugares que jamais imaginaria que conheceria aos 21 anos. Foi a primeira vez que passei um tempo longe da minha casa (6 meses) e, apesar de estar desesperada para voltar por causa do inverno alemão e da saudade, quando cheguei aqui demorei bastante para entender uma angústia existencial que me comeu viva por dentro por mais tempo do que poderia ser considerado saudável: comecei a perceber que meu lugar não era aqui dentro da casa dos meus pais.

Não quero ser considerada insensível ou ingrata. Meu maior medo ao escrever essas palavras e pensar algo do tipo sempre foi o universo entender como ingratidão, mas só eu sei o quanto amo meus pais, meu irmão, meus cachorros, minha gata, minha casa, meu quarto e minhas coisas. Amo esse bairro que resido há 15 anos, essa possibilidade de andar na beira da praia a duas quadras, o calor, tudo, mas certa vez li em algum lugar que uma vez que você sai de casa, não quer mais voltar porque tudo é diferente. Meus pais me dão liberdade e dinheiro para sair e eu realmente tenho uma vida muito boa aqui, mas sinto que preciso aprender a andar com meus próprios pés, me distanciar um pouco dos problemas de casa (absorvo muita coisa), tomar minhas próprias decisões (minha mãe sempre interfere nisso) e viver a minha vida. Sei que é fácil dizer isso voltando de um intercâmbio no 1º mundo, mas não é nem sobre o lugar que eu digo, é sobre a sensação de estar no comando da própria vida.

Minha mãe sofre um pouco com isso porque ela ainda não entendeu que eu cresci, me tornei uma mulher e agora tenho uma profissão. Dia desses participei de um processo seletivo e enquanto estava respondendo algumas perguntas, falei para ela o que havia respondido em uma das questões. Ela disse “acho que você deveria responder…” e eu disse “mãe, pode parar, eu já respondi”. O resultado? Ela saiu super chateada, falando com desdém “ok, miss independente!” e foi dormir sem falar comigo. No momento fiquei indignada (abri mão de tentar controlar como me sinto em algumas situações), não acreditando que minha mãe queria dar pitaco sobre algo referente à MINHA profissão que passei 6 anos estudando, sabe? Depois de respirar muito fundo e pensar em várias situações que tinham acontecido, percebi que ela não assimilou esse crescimento porque ainda moro aqui e dependo dela financeira para absolutamente tudo. Sempre brinquei dizendo que eu vivia uma extensão da minha adolescência e, olha só, no final das contas é isso mesmo.

Tudo isso para dizer que surgiu uma oportunidade e vou sair de casa mais uma vez. Só que agora para trabalhar na minha área. Talvez eu conte mais disso em outro post, mas preciso dizer que inicialmente foi um choque receber a notícia, inclusive acho que a mulher do RH da empresa que me ligou com certeza não estava me esperando dizer “é sério que fui escolhida?” uma três vezes, mostrando a amadora que sou. Foi realmente uma surpresa muito incrível. Jamais imaginaria que iria para uma empresa do porte dessa que passei, ainda mais fazendo pesquisa na minha área preferida. Era uma das coisas que eu não achava que era capaz porque muita gente me questionou na universidade. Já ouvi muitos “você não tem perfil de empresa”, “você é muito mole”, “você é doce demais para o ambiente empresarial”, etc. Foram frases que me desestimularam ao longo dos anos e que me fizeram perder o encanto com essa parte da minha profissão. Eu só não sabia que a chama seria reascendida tão rápido e tão intensamente. Felicidade e ansiedade tem sido os maiores sentimentos que cabem no meu peito. Muito mais que um mestrado para ser sincera.

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Eu sempre soube que iria morar longe dos meus pais e acho que essa jornada finalmente começou. No momento não tenho muitas coisas para dizer para vocês, mas mandem energias boas. Estou no processo de procurar um cantinho para morar e dentro de um ou dois meses acredito que vou trazer novas aventuras (e um projeto legal que estou montando com meu namorado).

Exercícios físicos e limites

Eu nunca gostei muito de exercícios físicos. No ensino fundamental, fiz natação e karatê e ia morrendo para as duas aulas. Na educação física, era uma das últimas a ser escolhida para os jogos porque era gordinha e desengonçada (já me falaram isso). Pedi para minha mãe me matricular no ballet e odiei toda aquela história de postura e ficar quieta em um canto. Acho que o único exercício que de fato me fez bem foi a ginástica olímpica, porém sempre fui medrosa demais com medo de me quebrar toda e não aprendi a dar uma estrelinha direito.

Dá para ver que não esporte não era meu clube.

Quando cresci, não foi muito diferente, com a exceção de que voltei para a natação e encontrei a chance de melhorar da minha cirurgia de coluna mais rápido. Foram três anos de natação em um clube perto de casa, reconstruindo meu corpo e tendo ele bem fortalecido. Depois que saí, nunca mais consegui me envolver com exercício nenhum. A preguiça, o medo de machucar a coluna e a universidade ENGOLINDO toda a minha energia vital foram alguns dos motivos que me fizeram parar de tentar encontrar no esporte aquela leveza que tantos diziam que eu ia encontrar. Nesse meio tempo todo, me matriculei em academias que só ia uma semana e voltava um mês depois. Em algum momento, fiz pilates com regularidade, mas os intercâmbios que fiz favoreceram para quebrar essa rotina.

Esse ano, como já contei por aqui, não fiz nenhuma resolução de perder peso e me matricular na academia, coisa que desde os 18 anos sempre estavam presentes nas minhas metas anuais. Ano passado, com 24 anos, aprendi que preciso atender às minhas necessidades físicas e mentais e percebi que minha cabeça estava muito ruim depois da formatura. Ganhei uma bicicleta linda da minha mãe e decidi que ia fazer valer esse dinheiro que ela investiu. Até então, eu não estava matriculada em uma academia.

Andei de bicicleta em novembro e dezembro do ano passado de uma forma intensa. Ia em horários diferentes sempre passeando pelo mesmo lugar e, sem estar abitolada com a ideia de perder peso, podia apreciar as pessoas, o canto dos passarinhos, os patinhos na lagoa, a lua, o pôr-do-sol, os dias claros que me mostravam um verde lindo no caminho que até aquele momento eu nunca tinha parado para apreciar. Foram dias que me fizeram MUITO bem pra mente. Aprendi que tem dias que a gente só precisa sair para respirar um ar puro enquanto o corpo nos leva a lugares incríveis.

Em janeiro, decidi que queria fortalecer mais o corpo e acabei me matriculando em uma academia que não tinha ar-condicionado, mas que por indicação tinha profissionais animados e legais. Fiz a inscrição sem me cobrar demais, só por um mês para ver se ia gostar. e foi uma das melhores coisas que fiz por mim. Às vezes o conforto está na conversa tranquila e na atenção que o seu instrutor tem com você na hora de fazer exercícios e não no ar-condicionado. Comecei a malhar com frequência na academia, entendendo mais sobre as necessidades do meu corpo e sempre deixando o celular em casa. Era um momento só meu.

Agora em fevereiro, meu irmão insistiu para que eu fosse com ele fazer uma aula de Muay Thai. Fiquei com medo, novamente, por causa da coluna, mas acabei cedendo. E, para minha surpresa, fui nas duas aulas da semana passada. O Muay Thai está trazendo uma percepção muito foda do meu corpo, sempre me levando para alguns limites que eu não conhecia. Na última aula, o professor pediu que eu desse chutes e socos por 3 minutos com um leve intervalo de 30 segundos. Foi tão exaustivo que senti meu músculo do braço tremendo, mas depois disso, parece que minha mente ficou vazia. Que toda e qualquer coisa que pudesse ser um ponto de preocupação, ficou mais fácil de resolver porque eu não queria gastar energia que não tinha pensando em infinitas possibilidades. Quando você está cansado fisicamente, só existe uma resposta para o problemão que você estava criando na sua cabeça e tudo fica mais simples.

Se me falassem isso uns dois anos atrás, eu riria e falaria que a pessoa está louca. Sempre tive esse conceito que eu era muito frágil por causa dos ossos quebrados, tornozelos torcidos e coluna parafusada que tenho, mas acho que a gente precisa se desafiar pra descobrir o que é qualidade de vida pra gente, sabe? No momento, qualidade de vida pra mim está sendo escutar o professor dizendo que estou errando, mas indo bem e usando toda a minha força para conseguir fazer as coisas certas na aula de Muay Thai.

Como se não bastasse, ontem fiz a minha primeira trilha na vida ao lado do meu namorado. 14 km com subidas e descidas íngremes, sem contar a subida e descida da cachoeira em si. Eu não estava esperando por isso e, com certeza, foi algo DEMAIS para mim que não estava acostumada. Foi um momento de dor absurda, de vontade de chorar na volta achando que ia morrer e ficar por ali, de dor nos pés, na perna, na coluna, de reduzir as passadas, de ficar calada do lado do meu namorado para poupar minha energia, de parar no meio das subidas e xingar um pouco essa ideia MALUCA que a gente teve, de querer fingir que a cachoeira era aquele monte de areia e rolar no chão, de molhar o tênis no meio da caminhada umas três vezes e ter que prosseguir andando porque o grupo não ia parar. Foi foda, mas também no momento que tomamos banho no rio senti uma das sensações mais gostosas da vida. Poder ficar sentada no meio do mato com os olhos fechados para ouvir os passarinhos cantando de um lado e a cachoeira jorrando água do outro também foi um momento recompensador. Existe paz no meio da dor e acho que a vida ensina isso para nós de diversas maneiras.

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Preciso reconhecer que se eu tivesse feito isso sozinha, ia ser uma experiência muito mais dolorosa. Sou muito grata por Marcos (meu namorado) ter cantado músicas do meu lado (músicas que ficaram ecoando na minha cabeça em vários momentos), conversado comigo, reduzido o passo para me acompanhar DIVERSAS vezes, entender que eu não ia conseguir conversar em alguns momentos, não reclamar NUNCA de eu precisar parar no meio do caminho e segurar minha mochila algumas vezes quando ele via que eu estava sofrendo demais. Eu amo tanto esse homem que não consigo nem escrever em palavras direito. Eu sei que tudo valeu à pena porque pude compartilhar todos esses momentos com ele. Dos bons aos ruins. Na alegria e na tristeza. No amor e na dor. É incrível ter essa noção e consciência um ano e meio depois de namoro que tenho uma pessoa brilhante e carinhosa do meu lado (obrigada, amor).

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Tudo isso para dizer que no meio dessas experiências desafiadoras, me descobri uma pessoa muito mais forte e muito mais sortuda da vida que tenho. De repente virei uma dessas pessoas que falam que tudo está na sua mente, inclusive as suas limitações. Ainda tenho medo pela minha coluna e procuro fazer tudo certo, mas isso já não é mais um motivo para me frear de conhecer coisas incríveis, desafiadoras e legais. A vida é muito curta para nos privarmos tanto.

Zonas de conforto e um novo mês

A primeira newsletter do ano da Júlia Medina trouxe um resumo de como estava sendo seu mês de janeiro pós-formatura. Basicamente, ela diz sobre os dias que parecem estranhos sem obrigação de nada para fazer depois de anos na loucura da escola seguida da graduação dela. Sobre como às vezes bate uma angústia existencial absurda, mas também sobre como esse tempo de calma tem sido interessante o suficiente para viver o presente e dar valor nos detalhes dos dias que vão passando, às vezes devagar demais, às vezes rápidos demais.

Ela conseguiu sumarizar absolutamente tudo o que tenho vivido nesse período entre o final da graduação e os próximos passos, sejam eles quais forem (é normal demais não ter certeza nenhuma do que se quer). Sem querer, fui direcionando os meus para a vida acadêmica e cheguei ao fim das provas e seleções de mestrado. Acabou que na última seleção que fiz em janeiro para a universidade que mais queria cursar meu mestrado, não passei e vou ficar aqui na universidade onde fiz minha graduação. Apesar de todos os prós de poder ficar na casa dos meus pais com todas as regalias, perto da minha família, namorado, amigos e doguinhos, me dá um nervoso absurdo porque já me disseram que o mestrado daqui é de arrancar o couro de um (hehe). Mas disseram que se você sobrevive, tá preparadíssimo para entrar em um doutorado com facilidade. Veremos.

Dentro dessa pilha toda de pensar no que será minha vida a partir de março, tenho aproveitado a calma dos dias para andar de bicicleta (bem menos do que estava andando em dezembro devo confessar), caminhar com os meus cachorros e viver meus relacionamentos da melhor maneira que consigo me puxando para fora da minha zona de conforto que, inclusive, é algo que tem me deixado muito incomodada. Comecei a prestar atenção nos meus padrões no mês passado e percebi que tudo o que faço dentro dessa zona é procrastinar as coisas que preciso/quero fazer. Não me esforço para marcar um encontro com meus amigos ou fazer algo especial e divertido com meu namorado, deixo de fazer academia que está me fazendo tão bem, como porcarias que sei que vão me fazer muito mal, fico vendo vídeos do youtube em looping infinito, fico vendo os stories de outras pessoas, assisto séries no youtube até meu corpo sentir que está cansado demais e durmo porque, com toda essa inércia, isso é o que eu tenho vontade de fazer durante a tarde. Minha zona de conforto tem me deixado desconfortável porque nela não quero fazer absolutamente nada e não cumpro nada das pequenas tarefas que me proponho no começo da manhã.

Confesso que tem sido difícil ficar em casa após esses anos todos de estudo sem ter uma obrigação concreta no meu dia a dia e isso tem me jogado para o fundo do poço dessa zona com direito a surtos de “eu não faço nada, não sirvo para nada, sou uma incompetente, etc”. Se eu estivesse me sentindo bem aqui vivendo isso desde outubro, tudo bem, mas não tem sido bom. É muito ruim sentir que tudo o que você tem feito não tem um propósito. Que seu objetivo no dia é saber o que vai comer, quantas vezes vai dormir e quantos episódios vai assistir daquela série que você adora. Se você também se sente assim, te proponho a colocar um pé para a fora da zona de conforto junto comigo e contar como foi essa jornada no final de fevereiro.

via tumblr

Para vocês terem ideia, ontem fiquei no dilema de ir para o bloquinho que aconteceu perto da minha casa ou ficar em casa descansando porque estava com preguiça de ir lá dançar e socializar (!!!!!!!!!). Sendo que minhas amigas estavam lá e meu namorado super topou de ir. Acabei indo, tomei duas skolbeats, parei no meio da rua pra rebolar a bunda ao som de uns funks que todo mundo sabia menos eu e beijei muito meu amor. Se isso não for carnaval, eu não sei o que é. Além disso, ainda esse fim de semana aceitei o desafio do meu irmão e do meu namorado de ficar em pé no skate e acabei aprendendo a ANDAR DE SKATE de verdade (i’m not kidding, aprendi a remar e seguir em frente). É esse tipo de proposta que tenho para vocês, até porque fazer esse tipo de desafio em conjunto é muito mais divertido. Vamos?

Um giro no mundo da internet

Aparentemente vem surgindo uma onda nos espaços da internet que frequento (twitter e newsletter) de pessoas cansadas da web que estão precisando de um descanso mental. Achei engraçado. Desde o final do ano passado venho tentando melhorar minha relação com as redes sociais e o mundo real. Se a gente for parar para pensar a fundo nos porquês das nossas postagens e compartilhamentos,  veremos que na realidade o ato de usar a internet virou algo automático e não muito reflexivo. A gente precisa postar, se integrar, mostrar nossa opinião. Queremos ter voz, queremos ser vistos e qual o melhor lugar para isso? A internet. É tudo muito fácil por aqui com todos esses likes e redes sociais interligadas. Por causa disso, estamos pagando um preço muito alto que não sei se vocês perceberam, mas é com a nossa saúde mental.

Nunca se falou tanto sobre ansiedade e depressão como nas redes sociais hoje em dia. Eu já tive gastrite nervosa e crises de ansiedade horríveis por sentir que não ia dar conta de fazer tudo e participar de tudo e, pior, ser a melhor nas coisas que eu me propunha. Balancear uma vida online e offline é para os fortes e acho que como a maioria das pessoas, eu não soube fazer isso. Quantas vezes deixei/deixo de sair com meus amigos para estar aqui na internet me informando? Ou me atualizando de uma série? Ou interagindo em blogs de discussão? A resposta é mais do que eu posso me dar conta.

Quando a gente para de ter contato humano direto, a coisa desanda, já perceberam? Pelo menos foi o que comecei a observar comigo. Os momentos que mais sinto paz de espírito no meu dia é quando saio para andar com os cachorros porque não levo meu celular e comprimento as pessoas na rua, solto um sorriso aqui e ali ou quando vou para a academia e fico conversando com o instrutor enquanto caminho na esteira olhando um coqueiro balançar. Nos fins de semana, estou me propondo ficar mais perto das pessoas que gosto ou mais aberta a conhecer pessoas novas. Há algo muito poderoso no momento que a gente abraça um amigo ou começa a fazer conexão com alguém que vai além da minha capacidade de explicar. A felicidade só é real quando compartilhada.

A Anna escreveu na newsletter dela dessa semana sobre como ela sente falta de uma internet sem uma quantidade absurda de ruído e como isso tem desgraçado a cabeça dela. Tem sido difícil para muita gente porque queremos seguir todo mundo que a gente gosta, estar por dentro, ser o mais antenado, escrever as coisas mais legais e ter o maior alcance possível. Isso é fato. Mesmo nas pequenas coisas os algoritmos condicionam a gente a isso. Quem nunca ficou triste por aquela foto que a gente achou que tinha ficado genial não ter tido a quantidade de likes que a gente queria? Ou aquele tweet que a gente achou lacrante que não teve a resposta do público?  Toda vez que abro o WordPress, ele me pergunta se não quero colocar um anúncio para monetizar o site, mas eu não quero.

Depois que os blogs e sites são monetizados, as coisas começaram a parecer mais do mesmo para mim. Existe uma pressão tão doida para estar por dentro, para ser o primeiro a falar sobre determinado assunto, para lançar aquele texto que vai fazer todo mundo ficar “oohh” que as coisas perderam a graça. Você tem 30 booktubers falando sobre o mesmo livro, 60 sites escrevendo sobre aquele filme que acabou de ser lançado mostrando 345 pontos de vista diferentes e, no final das contas, a gente acaba lendo mais sobre essas opiniões do que de fato se divertindo ao assistir ou ler sobre alguma coisa. Isso quando a gente não se sente paralisado com A QUANTIDADE DE COISAS que precisamos acompanhar para estar por dentro. A internet está caminhando para uma implosão e gosto da ideia de que essa implosão pode levar a gente para os primórdios dos blogs simples, mas vamos aguardar, posso estar errada.

Esse continua sendo meu único jeito de desabafar : Foto

Eu não quero ser a pessoa ranzinza que vai falar mal da internet porque assim como a Luiza Voll e a Anna falaram, ela me deu muitas coisas boas e me aproximou/aproxima de gente muito especial e legal. Acho que agora só precisamos remodelar como nos envolvemos com ela e a consumimos. Isso tem muito a ver com uma filosofia que vou adotar para o meu ano que é de go deeper, not wider. Basicamente, ela diz pra gente não ficar tentando expandir conhecimento ou afazeres o tempo todo, mas sim nos aprofundarmos em questões que já estamos interessados.  Vale a leitura do texto!

Esse post tá meio confuso, mas as referências são legais. É para não esquecer mesmo.

 

A vida é engraçada do jeito que é

Ou: como não temos controle de nada

Serei aquele tipo de pessoa chata que vai falar sobre como o tempo já está passando rápido demais porque não sei se vocês perceberam, mas ele está. Já é 17 de janeiro e faz quase 15 dias que escrevi o primeiro post do ano. Me pergunto se isso é virar adulto: não perceber o tempo caminhando pra frente enquanto estamos sendo engolidos por prazos, vida social, trabalho, estudos, etc.


É engraçado como na vida a gente sempre acha que está sob controle de algumas coisas. Você já está conformado com a rotina, está estudando, sendo grato todos os dias (de verdade), amando sua família, seu namorado, seus bichinhos, lendo seus livros, desbloqueando crises internas e, de repente, bam, seu pai sofre um acidente carro mesmo sempre dirigindo a 40 km/h, você machuca os sentimentos do seu namorado, seu irmão é assaltado andando de bicicleta com o amigo e alguém bate no carro da sua mãe. Tudo isso em um período de duas semanas.

Adivinha só, a gente não tem controle de nada.

Em outras épocas talvez eu estivesse entrando em uma crise de ansiedade daquelas que a gente perde o ar e acha que vai morrer porque está com medo do que está por vir e estaria só me fechando dentro da minha bolha, ficando mais próxima ainda de quem eu amo e evitando toda e qualquer atividade fora de casa. Mas como disse, isso seria em outras épocas. Todos esses acontecimentos colocaram muita coisa sob perspectiva pra mim. Eu podia ter perdido a maioria das pessoas que amo logo em janeiro, mas escolhi ver o melhor lado da situação toda (e olha que não sou aquela pessoa good vibes que vê um lado positivo em tudo).

Cada vez mais acredito que tudo o que a gente sobrevive na vida é uma chance da gente melhorar como ser humano. Eu não sou religiosa, oscilo muito sobre o que acredito ou não, mas sei que acredito em energia, em reencarnação e, mais que tudo, cada vez mais acredito que a vida nos da chances de fazermos tudo dar certo. O que quer que seja fazer a vida dar certo. Esse ano ainda quero ir em algum centro espírita para ver se consigo encaixar as minhas visões de vida em alguma coisa. Acho que é importante a gente ter um grupo em que possamos sentir uma boa energia vibrando. Orar também é meditar, no final das contas, e meditar traz a calma que a gente precisa para a cabeça.

Entre todos esses acontecimentos, fiz uma prova de mestrado para uma universidade top na minha área. Foi a primeira vez que fiz uma prova relativamente tranquila. Não entrei em pânico, não botei aquilo num pedestal como se fosse minha única e última chance porque sei que nunca é. A gente gosta de achar que é, mas acredito que o que tem que acontecer, vai acontecer. Eu sabia que tinha estudado para aquilo, algumas coisas mais e outra menos. Sabia que o resultado seria de acordo. Fiz o que pude dentro de todo o estresse do acidente do meu pai e do estresse emocional com meu namorado. Agora só estou esperando o resultado que sai na próxima segunda-feira (torçam por mim!).

No final das contas, joguei nas mãos do universo sem tentar controlar muito as coisas. No dia seguinte da prova, meu irmão e meu namorado chegaram em Salvador para passearmos e nos curtir. Eu sabia que podia ser um desastre para mim e para Marcos (namorado), mas o efeito foi oposto. A gente viveu o que com certeza vou elencar  na retrospectiva do final do ano como “melhores momentos de 2018”. Não fizemos planos muito engessados, subimos e descemos ladeiras aleatórias do pelourinho, fomos no mercado modelo, fizemos compras no shopping e tomamos banho de mar em Itapuã. Entre essas coisas, foram dados muito sorrisos. Coisas saíram do nosso controle (por exemplo, acabou a energia da casa que a gente estava e passamos calor durante a noite), mas mesmo assim a viagem foi excelente. 5 estrelas ao meu ver.

Acho que na vida a gente precisa aprender a entregar as coisas e a confiar no que o universo pode fazer por nós. Se libertar do controle. Não quero aqui entregar fórmula para a felicidade nem nada, muito menos dizer que todo mundo deve largar o que está sendo difícil. Precisamos continuar batalhando pelos nossos objetivos, dar o nosso melhor e simplesmente tentar fazer as coisas funcionarem para nós da maneira que mais faz sentido pra gente. Tenho feito isso. Não sei se estou fazendo certo, mas sei que o medo não tem sido o que me rege na minha vida e isso depois de muito tempo que isso foi uma verdade para mim.