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Cabeça confusa (as always)

Uma coisa que eu não queria fazer com esse blog era transformá-lo num depósito de amarguras. Talvez eu tenha sido otimista demais considerando o meu padrão (escrever sobre tempos desesperados, medos e ansiedade), mas acho que é ok vocês saberem que eu só ando confusa com o que está acontecendo com a minha vida o tempo todo.

Depois que formei na faculdade não tenho entendido muito bem como manter a minha cabeça sã e mais leve. Parece que, mais do que uma pressão externa para arranjar um trabalho ou qualquer coisa, a pressão interna é duas vezes pior. Você fica se culpando por não estar fazendo nada, por estar usando o dinheiro dos seus pais, por não ter conseguido nada ainda, por achar seu currículo péssimo, por não ter virado o agente que move sua vida pra frente, sabe? Eu formei em um curso (engenharia de materiais) que o mercado ainda não faz ideia do que a gente faz, muito menos as pessoas, e foi só no final do curso que me dei conta disso. E só de escrever sobre isso deu uma vontade de dar uma choradinha aqui enrolada nas minhas cobertas.

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Desesperos a parte, eu resolvi que seguiria a carreira acadêmica e já passei no mestrado aqui na UFS, mas estou estudando para prestar em outros lugares e isso ao mesmo tempo que me dá um friozinho na barriga bom, me dá um medo desgraçado porque vou para longe da minha família, do meu namorado, da minha casa, dos meus amigos e tudo o que conheço tão bem. Crescer é muito estressante, gente. Daí eu só me sinto constantemente paralisada de medo e sem conseguir cuidar da minha cabeça. Eu não consigo passar um dia inteiro com a sensação que estou bem. Com exceção desse domingo maravilhoso porque me desafiei a dizer sim para várias coisas e acabei andando de bicicleta de manhã com meu namorado e meu irmão, depois fui pra piscina com eles, brinquei de dar mortais na piscina (LOGO EU) e no final da tarde fui pra uma feirinha de artesanato que tinha muita coisa linda.

Atualmente, o que tem me ajudado a sentir um pouco melhor é me abrir para o meu namorado sobre o que tá rolando na minha cabeça, escrever no meu diário e adquirir o hábito de andar de bicicleta em horários diferentes durante a minha semana, sempre fazendo o mesmo percurso. É um percurso lindo, já adianto pra vocês, ao redor dos lagos e da orla perto da minha casa. Eu e meu irmão fazemos pelo menos umas três vezes por semana 12 km de bicicleta e sempre nos deixamos apaixonar pelos finais de tarde passando entre os patinhos. Mas isso não tem sido suficiente. Eu preciso fazer mais, sempre mais. Saudades da época que eu me sentia perfeitamente bem só de assistir umas comédias românticas e ler um livro.

Como vocês lidam com esse tipo de coisa?

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Segundas chances

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Um novo blog. Que loucura começar um blog do zero a essa altura do campeonato, pensei hoje de manhã enquanto tomava o meu café e comia meu pãozinho na chapa. Será que estou “velha demais” para recomeçar a escrever na internet? Provavelmente não. Minha geração gosta de dizer que já somos velhos demais para isso e aquilo, mas se formos ver, somos todos jovens sim. Frescos. Um pouco baqueados pela realidade, mas ainda assim frescos.

Eu gostava de escrever lá entre 2010-2014. Escrever, ao contrário de muitas amigas, nunca foi o meu forte e nunca foi essencial, mas descobri que esse ato me deixa sã, me deixa leve e me faz bem. A troca me faz bem. Por causa disso resolvi criar esse espaço. No momento minha vida está sofrendo uma transição. Sou recém-formada em Engenharia dos Materiais e estou disputando vagas em mestrados por aí. Voltei a estudar alemão, comecei a estudar francês e, como sempre, venho tentando entender cada vez mais esse desenvolvimento que vai me moldando sem eu nem perceber.

Antes eu falava que era fanática por comédias românticas, hoje nem tanto (não se fazem mais comédias românticas como antigamente e blablabla). Escuto menos músicas, toco violão raríssimas vezes e as leituras andam em baixa. Eu poderia dizer que não sei o que está acontecendo, mas sei. Virei refém das redes sociais e, principalmente, do whatsapp. E pode parecer desculpa, mas não é. Hoje, com o início desse blog, quero começar um projeto de me distanciar mais das redes e me aproximar mais de coisas reais que me fazem bem. Escrever é um ato de concentração e por isso estou aqui, voltando. Esse blog é uma resistência à modernidade que anda me fazendo mal.

Se eu for falar muito sobre mim, vão descobrir que no momento sou só ansiedade e angústia. Portanto, esse espaço também será uma terapia. Pra mim e até mesmo pra você que passa por algo parecido.

Vamos nessa?