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Zonas de conforto e um novo mês

A primeira newsletter do ano da Júlia Medina trouxe um resumo de como estava sendo seu mês de janeiro pós-formatura. Basicamente, ela diz sobre os dias que parecem estranhos sem obrigação de nada para fazer depois de anos na loucura da escola seguida da graduação dela. Sobre como às vezes bate uma angústia existencial absurda, mas também sobre como esse tempo de calma tem sido interessante o suficiente para viver o presente e dar valor nos detalhes dos dias que vão passando, às vezes devagar demais, às vezes rápidos demais.

Ela conseguiu sumarizar absolutamente tudo o que tenho vivido nesse período entre o final da graduação e os próximos passos, sejam eles quais forem (é normal demais não ter certeza nenhuma do que se quer). Sem querer, fui direcionando os meus para a vida acadêmica e cheguei ao fim das provas e seleções de mestrado. Acabou que na última seleção que fiz em janeiro para a universidade que mais queria cursar meu mestrado, não passei e vou ficar aqui na universidade onde fiz minha graduação. Apesar de todos os prós de poder ficar na casa dos meus pais com todas as regalias, perto da minha família, namorado, amigos e doguinhos, me dá um nervoso absurdo porque já me disseram que o mestrado daqui é de arrancar o couro de um (hehe). Mas disseram que se você sobrevive, tá preparadíssimo para entrar em um doutorado com facilidade. Veremos.

Dentro dessa pilha toda de pensar no que será minha vida a partir de março, tenho aproveitado a calma dos dias para andar de bicicleta (bem menos do que estava andando em dezembro devo confessar), caminhar com os meus cachorros e viver meus relacionamentos da melhor maneira que consigo me puxando para fora da minha zona de conforto que, inclusive, é algo que tem me deixado muito incomodada. Comecei a prestar atenção nos meus padrões no mês passado e percebi que tudo o que faço dentro dessa zona é procrastinar as coisas que preciso/quero fazer. Não me esforço para marcar um encontro com meus amigos ou fazer algo especial e divertido com meu namorado, deixo de fazer academia que está me fazendo tão bem, como porcarias que sei que vão me fazer muito mal, fico vendo vídeos do youtube em looping infinito, fico vendo os stories de outras pessoas, assisto séries no youtube até meu corpo sentir que está cansado demais e durmo porque, com toda essa inércia, isso é o que eu tenho vontade de fazer durante a tarde. Minha zona de conforto tem me deixado desconfortável porque nela não quero fazer absolutamente nada e não cumpro nada das pequenas tarefas que me proponho no começo da manhã.

Confesso que tem sido difícil ficar em casa após esses anos todos de estudo sem ter uma obrigação concreta no meu dia a dia e isso tem me jogado para o fundo do poço dessa zona com direito a surtos de “eu não faço nada, não sirvo para nada, sou uma incompetente, etc”. Se eu estivesse me sentindo bem aqui vivendo isso desde outubro, tudo bem, mas não tem sido bom. É muito ruim sentir que tudo o que você tem feito não tem um propósito. Que seu objetivo no dia é saber o que vai comer, quantas vezes vai dormir e quantos episódios vai assistir daquela série que você adora. Se você também se sente assim, te proponho a colocar um pé para a fora da zona de conforto junto comigo e contar como foi essa jornada no final de fevereiro.

via tumblr

Para vocês terem ideia, ontem fiquei no dilema de ir para o bloquinho que aconteceu perto da minha casa ou ficar em casa descansando porque estava com preguiça de ir lá dançar e socializar (!!!!!!!!!). Sendo que minhas amigas estavam lá e meu namorado super topou de ir. Acabei indo, tomei duas skolbeats, parei no meio da rua pra rebolar a bunda ao som de uns funks que todo mundo sabia menos eu e beijei muito meu amor. Se isso não for carnaval, eu não sei o que é. Além disso, ainda esse fim de semana aceitei o desafio do meu irmão e do meu namorado de ficar em pé no skate e acabei aprendendo a ANDAR DE SKATE de verdade (i’m not kidding, aprendi a remar e seguir em frente). É esse tipo de proposta que tenho para vocês, até porque fazer esse tipo de desafio em conjunto é muito mais divertido. Vamos?

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Cabeça confusa (as always)

Uma coisa que eu não queria fazer com esse blog era transformá-lo num depósito de amarguras. Talvez eu tenha sido otimista demais considerando o meu padrão (escrever sobre tempos desesperados, medos e ansiedade), mas acho que é ok vocês saberem que eu só ando confusa com o que está acontecendo com a minha vida o tempo todo.

Depois que formei na faculdade não tenho entendido muito bem como manter a minha cabeça sã e mais leve. Parece que, mais do que uma pressão externa para arranjar um trabalho ou qualquer coisa, a pressão interna é duas vezes pior. Você fica se culpando por não estar fazendo nada, por estar usando o dinheiro dos seus pais, por não ter conseguido nada ainda, por achar seu currículo péssimo, por não ter virado o agente que move sua vida pra frente, sabe? Eu formei em um curso (engenharia de materiais) que o mercado ainda não faz ideia do que a gente faz, muito menos as pessoas, e foi só no final do curso que me dei conta disso. E só de escrever sobre isso deu uma vontade de dar uma choradinha aqui enrolada nas minhas cobertas.

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Desesperos a parte, eu resolvi que seguiria a carreira acadêmica e já passei no mestrado aqui na UFS, mas estou estudando para prestar em outros lugares e isso ao mesmo tempo que me dá um friozinho na barriga bom, me dá um medo desgraçado porque vou para longe da minha família, do meu namorado, da minha casa, dos meus amigos e tudo o que conheço tão bem. Crescer é muito estressante, gente. Daí eu só me sinto constantemente paralisada de medo e sem conseguir cuidar da minha cabeça. Eu não consigo passar um dia inteiro com a sensação que estou bem. Com exceção desse domingo maravilhoso porque me desafiei a dizer sim para várias coisas e acabei andando de bicicleta de manhã com meu namorado e meu irmão, depois fui pra piscina com eles, brinquei de dar mortais na piscina (LOGO EU) e no final da tarde fui pra uma feirinha de artesanato que tinha muita coisa linda.

Atualmente, o que tem me ajudado a sentir um pouco melhor é me abrir para o meu namorado sobre o que tá rolando na minha cabeça, escrever no meu diário e adquirir o hábito de andar de bicicleta em horários diferentes durante a minha semana, sempre fazendo o mesmo percurso. É um percurso lindo, já adianto pra vocês, ao redor dos lagos e da orla perto da minha casa. Eu e meu irmão fazemos pelo menos umas três vezes por semana 12 km de bicicleta e sempre nos deixamos apaixonar pelos finais de tarde passando entre os patinhos. Mas isso não tem sido suficiente. Eu preciso fazer mais, sempre mais. Saudades da época que eu me sentia perfeitamente bem só de assistir umas comédias românticas e ler um livro.

Como vocês lidam com esse tipo de coisa?

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Segundas chances

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Um novo blog. Que loucura começar um blog do zero a essa altura do campeonato, pensei hoje de manhã enquanto tomava o meu café e comia meu pãozinho na chapa. Será que estou “velha demais” para recomeçar a escrever na internet? Provavelmente não. Minha geração gosta de dizer que já somos velhos demais para isso e aquilo, mas se formos ver, somos todos jovens sim. Frescos. Um pouco baqueados pela realidade, mas ainda assim frescos.

Eu gostava de escrever lá entre 2010-2014. Escrever, ao contrário de muitas amigas, nunca foi o meu forte e nunca foi essencial, mas descobri que esse ato me deixa sã, me deixa leve e me faz bem. A troca me faz bem. Por causa disso resolvi criar esse espaço. No momento minha vida está sofrendo uma transição. Sou recém-formada em Engenharia dos Materiais e estou disputando vagas em mestrados por aí. Voltei a estudar alemão, comecei a estudar francês e, como sempre, venho tentando entender cada vez mais esse desenvolvimento que vai me moldando sem eu nem perceber.

Antes eu falava que era fanática por comédias românticas, hoje nem tanto (não se fazem mais comédias românticas como antigamente e blablabla). Escuto menos músicas, toco violão raríssimas vezes e as leituras andam em baixa. Eu poderia dizer que não sei o que está acontecendo, mas sei. Virei refém das redes sociais e, principalmente, do whatsapp. E pode parecer desculpa, mas não é. Hoje, com o início desse blog, quero começar um projeto de me distanciar mais das redes e me aproximar mais de coisas reais que me fazem bem. Escrever é um ato de concentração e por isso estou aqui, voltando. Esse blog é uma resistência à modernidade que anda me fazendo mal.

Se eu for falar muito sobre mim, vão descobrir que no momento sou só ansiedade e angústia. Portanto, esse espaço também será uma terapia. Pra mim e até mesmo pra você que passa por algo parecido.

Vamos nessa?