Sweet 25

Ano passado, no meu aniversário de 24 anos, eu me encontrava num período estranho, pois estava desconectada de mim e não sabia. Diante de tantas mudanças internas e externas, erros, muita dedicação e resiliência, não tirei um tempo para me dedicar à minha festa de aniversário. Sempre tive minha mãe para me dar esse apoio, mas ano passado ela disse que eu precisava aprender a tocar as coisas sozinha e acabei deixando-as para fazer em cima da hora.

Algo que vocês precisam (ou já devem) saber sobre mim é que eu amo comemorar meu aniversário. Amo o carinho, os abraços e a atenção (leonina aqui rs) diferenciada que as pessoas dão nessa data comemorativa, então nem preciso dizer o quanto me importo com ela (da mesma forma que faço folia no aniversário dos meus amigos e das pessoas que gosto). Deixar para organizar meu aniversário em cima da hora no ano passado foi horrível, mas hoje vejo que nem tanto. Muitas pessoas que eu esperava que fossem e que estavam convivendo intensamente comigo foram para a despedida de uma menina que conhecíamos e isso me deixou arrasada no dia. No entanto, quando vejo as fotos, as pessoas QUE SEMPRE estiveram na minha vida, estavam lá, e algumas que se aproximaram de verdade na época também foram. Hoje eu entendo muito melhor que a vida é assim, que poucas pessoas ficam e te dão o retorno da amizade que você oferece para elas e que está tudo bem.

Tudo isso para dizer que na última sexta-feira, 17, foi meu aniversário e o dia começou um pouco esquisito. Primeiro que ninguém do meu trabalho lembrou que era meu aniversário, nem uma das pessoas mais próximas de mim, mas tentei entender como uma consequência de que 1) tem gente que não liga tanto e 2) tínhamos uma reunião importante com o nosso gerente geral no mesmo dia, mas mesmo assim isso me deixou mais abalada do que gostaria. Até que o jogo começou a virar e recebi muitas mensagens no whatsapp de vários amigos de Aracaju e da vida, até da minha amiga que trabalha aqui e está de férias, e foi uma folia muito gostosa. Meu namorado me enviou uma cesta de café-da-manhã para o meu trabalho tão rosa que dava para ver até na lua e que me fez chorar com tanto amor. Também fez um vídeo lindo para mim de aniversário que já assisti umas 30 vezes desde que ele me enviou. Nem preciso dizer que me senti completa com essa dedicação, né?

Ontem resolvi reunir o pessoal que trabalha comigo em um barzinho e foi muito mais gostoso do que imaginava. Pensei que ia dar uma flopada, mas as pessoas que tiraram um tempo para me conhecer melhor durante esses quatro meses foram me prestigiar com muita alegria. Ganhei chocolates, ganhei uma conta paga basicamente por eles, muitas risadas, fotos polaroid, uma sobremesa para colocar as velas que eu tinha levado e muito carinho. Foi incrível. Muito melhor do que o esperado.

bday

Aprendi com isso tudo que às vezes a gente precisa encarar as coisas com mais leveza porque o universo dá em retorno aquilo que a gente precisa e que ele nunca vai deixar a gente desamparado se quisermos muito alguma coisa. Meu desejo de um aniversário feliz foi realizado. Obrigada!

niver

ps: não posso deixar de dizer que no dia 16, a família da menina que mora comigo veio aqui e saímos para jantar juntos. Uma coisa bem íntima e em família que o universo foi bondoso e me deu.

 

 

 

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Diário, amor e cozinha

Sinto falta da época que eu sabia entrelaçar melhor as informações dos meus textos. Não sei se foi a universidade que moldou minha forma de escrever para algo absolutamente direto ou se esse é mesmo o meu estilo, mas eu queria mesmo saber escrever de uma forma mais poética ou até mesmo dar mais voltas para explicar algo com muito embasamento em arte. Talvez meu cérebro não seja programado para isso, mas só queria deixar aqui meu descontentamento mesmo. 

Minha semana foi particularmente puxada e várias coisas saíram do meu controle, peguei birra da minha agenda que ficou extremamente bagunçada e feia e terminei o dia de ontem com uma dor no pescoço ameaçando uma torcicolo. Nada que me atingisse de forma dolorosa emocionalmente, mas as vezes a somatização das responsabilidades e do tanto de coisa que surge durante o dia e até mesmo pequenos atritos (e bestas!) no dia a dia com quem a gente convive já são o suficiente para derrubar a gente um pouquinho. Faz parte.

Hoje, entretanto, acordei sentindo uma paz de espírito enorme. Não sei porque, afinal, trouxe trabalho para fazer em casa e isso tira um pouquinho da animação, mas foi o sentimento que guiou meu dia quase inteiro. Tomei um café-da-manhã calmo na minha cama, liguei para o meu namorado e depois para minha mãe e passei a manhã inteira conversando com eles. Andei na vizinhança até o mercadinho e me apaixonei por um apartamento que tem atrás do meu só por causa da varanda (saudades da minha rede!). Estou, inclusive, pensando em ligar para saber mais informações. Almocei uma marmita saudável que custou 11 reais (e que vai dar para eu comer duas vezes), fui na academia fazer 30 min de esteira para aliviar a tensão e depois que cheguei em casa resolvi uns probleminhas. Quando terminei de resolver as coisas, tomei um banho quentinho e coloquei Julie e Julia para assistir no netflix.

Queria fazer um adendo aqui que às vezes parece que o universo conspira ao nosso favor, né? Faz muito tempo que não assisto uma comédia romântica tão gostosa quanto Julie & Julia e achei que tinha tudo a ver com o momento que ando vivendo. Afinal, eu venho tentando mudar meus hábitos alimentares e parado de gastar com comidas de fast food e tudo mais. Inclusive, parece que meu corpo tem rejeitado essas coisas fazendo meu estômago embrulhar ou encher com muita facilidade.

Não é que esse seja um filme sobre se alimentar de forma saudável, mas sobre cozinhar com amor. Nunca fui uma grande entusiasta da cozinha, inclusive sempre fui uma inútil até observando minhas amigas cozinharem, mas de certa forma essa semana aconteceu um estalo na minha cabeça. Fiz uma sopa de mandioquinha com calabresa e acertei no tempero. Foi a coisa mais gostosa que já cozinhei e, de repente, entendi porque existiam pessoas apaixonadas por isso. É uma delícia descobrir sabores, comer uma comidinha feita por você e sentir que seu corpo agradece aquilo. Descobri que aquele tempo que você dedica na cozinha é traduzido por um único sentimento: o amor. Amor por você e amor para quem você cozinha. É um tempo que você tira para pensar nos seus sentidos e ouvir um pouco mais do que vem de dentro. É um tempo que exige paciência e calma porque nada que é feito com pressa fica tão gostoso quanto quando você está realmente atento em cada coisinha que coloca dentro da panela. O filme Julie & Julia deixa estampada essa relação entre o amor e a comida de forma muito clara e isso é possível de entender por as duas estão envolvidas por seus maridos, suas irmãs e seus amigos durante o filme inteiro. É muito fofo!

Não tenho pretensão de dizer que vou me dedicar 100% à arte da cozinha, mas senti uma vontade enorme de compartilhar sobre essa nova vontade de querer descobrir o que posso aprender a cozinhar e quem eu posso agradar com isso. No final das contas, happiness is only real when shared. ❤

 

 

 

Fora do lugar

Hoje acordei querendo cuidar um pouco mais de mim porque senti que essa semana me deu um cansaço fora do normal. No trabalho, fiquei impaciente por nenhum motivo aparente, mesmo acontecendo coisas boas como o reconhecimento dos meus tutores pelo meu trabalho e ter me aproximando dos estagiários com conversas divertidas durante o café-da-manhã no refeitório da empresa. Senti um estalo de que algo não estava indo bem porque de quarta-feira para cá comecei a ter problemas de gases e dores nas pernas muito insuportáveis. Me dei conta de que passei a semana inteira jantando comidas sem valor nutricional algum, em um misto de salgadinhos torcida e bolachas com nutella. Meu corpo está sentindo o peso de tudo isso. Um exemplo da situação que estou vivendo é o cardápio que tive na quinta-feira:

  • Café-da-manhã: 1 Banana + 1 Pão com manteiga + 1 copo de café
  • Lanche: 2 castanhas do pará + algumas castanhas de caju + pipoca (é)
  • Almoço: Sushi
  • Jantar: Pão na chapa com manteiga + 1 xícara de café
    PS: Bebi pouquíssima água esse dia

30 minutos depois do jantar inventei de ir fazer funcional na academia pela primeira vez e meia-hora depois estava passando mal e me sentindo zonza. Voltei para casa e só aceitei que algo estava errado comigo. Conversei muito com meu namorado ontem e ele disse que não sabe muito bem o que dizer mais para mim porque eu dizia que ia começar a alimentar bem e SEMPRE enfiava o pé na jaca. Não tem um dia que eu não me descontrole e me sinto profundamente triste por isso porque fica aquela sensação de que não tenho controle, sabe? Comida sempre foi uma válvula de escape para a ansiedade para mim, mas dessa vez não sei de onde isso está vindo.

Não é como se eu estivesse me sentindo infeliz com a minha vida, pelo contrário. As coisas estão indo bem, os laços estão se fortalecendo, meu namoro vai indo bem, minha família está bem, em duas semanas verei minha mãe e minha madrinha e em três o meu namorado. Tenho conseguido pagar as contas e me divertir. What the fuck is happening?

Não dá pra saber se é ansiedade ou se é o fato de que tenho me alimentado mal e não esteja fazendo os exercícios físicos que prometi fazer. Sinto, inclusive, uma puta frustração por não seguir com isso direitinho na minha vida. Eu planejo mil vezes, vejo a grade de horário das aulas e digo todo começo de semana “essa semana vou seguir o plano: segunda – boxe, terça – musculação, quinta – funcional, sexta – musculação e no fds escolho caminhar no parque ou andar de patins”. Se vou duas vezes na semana é muito e daí começa um ciclo autodestrutivo de não me nutrir direito. Ando cansada e triste. Não sei muito bem o que está acontecendo, mas se alguém souber, por favor, me avise.

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Memórias me fazem querer voltar…

Fiz um bate-volta para Aracaju nesses últimos três dias e me encontro numa condição extremamente cansada, emocionalmente esgotada e morrendo de saudade das minhas pessoas, mas mesmo assim acordei oito horas da manhã desse domingo e quis logo arrumar o apartamento de forma que troquei as roupas de cama, varri os cômodos, guardei roupas e já coloquei outras para lavar. Estranhamente, a necessidade de colocar tudo de volta no lugar e, ao mesmo tempo, limpar e renovar as coisas me fez perceber que reconheço esse apartamento em Sorocaba como o meu lar.

Eu já sabia que a sensação de pisar na minha casa em Aracaju seria diferente. Os intercâmbios me mostraram que a gente se acostuma com um novo lugar sem ao menos perceber. De repente, seu antigo quarto te parece estranho e você leva um tempo até processar que aquela é a sua casa e seu refúgio do mundo. Foi no momento em que sentei na cama do meu quarto de Aracaju, olhando todas aquelas coisas que um mês e meio atrás eram muito minhas que senti que algo havia mudado. Me senti menos pertencente daquele quarto do que estava esperando. Até então, ainda achava que o apartamento que estou morando em Sorocaba era apenas da minha flatmate e, sim, ele tem muito mais coisas dela do que minhas, mas senti hoje, arrumando-o, que esse ambiente é tão meu quanto dela. Mais meu do que eu poderia ter me dado conta.

Minha manicure disse que mudei o jeito que estava me comportando, mais madura, e não sei o quanto disso era verdade, nem sei se é possível que isso aconteça após um mês e meio fora de casa, mas de alguma forma me sinto diferente. Encontrar minhas amigas foi uma delícia, de repente não me senti mais tão sozinha no mundo e percebi que se eu quisesse ter momentos melhores aqui em Sorocaba, eu não podia continuar minha vida esperando viver tudo o que precisava em viagens rápidas para Aracaju. Preciso me jogar aqui, mesmo que sozinha, para dar uma chance ao universo de conhecer novas pessoas e criar novos laços. Me dei conta, por mais boba que essa revelação seja, de que absolutamente nada vai acontecer na minha vida se eu continuar dentro da minha casa o dia inteiro.

Em relação ao reencontro com a minha família, foi maravilhoso sentir que meus pais vão estar aqui para mim a qualquer momento e que eles e meu irmão valorizam a minha presença de uma forma que não tinha me dado conta. Sou a amigona do meu pai e do meu irmão e a parceira da minha mãe, mesmo que lá eu tenha me deixado confortável para fazer uma bagunça absoluta no meu quarto (coisa que não acontece aqui). Senti a alegria deles pelo jeito que faziam questão de ficar perto de mim a ponto de conseguirmos almoçar juntos lá (sempre era um problema, cada um no seu horário). Também me dei conta que a saudade nunca vai passar. Ela diminui, mas vai estar sempre aqui para me pegar de surpresa nos lugares mais inapropriados (como aconteceu ontem no terminal II de Guarulhos).

Com o meu namorado, as coisas foram um pouco diferentes. Já vínhamos enfrentando questões passadas muito difíceis e a distância não ajudou muito. Fui com a expectativa de que tudo ficasse bem, mas não chegamos a conclusão nenhuma. Mesmo assim não desgrudamos nenhum segundo um do outro e agora me dei conta de que mesmo que esteja tudo difícil, nossa vontade de ficar junto é muito forte. Já deixei de acreditar que o amor cura e supera tudo há um tempo, mas preciso reconhecer que o amor segura muitas pontas que um relacionamento mais raso não segura e é nisso que me agarro com força.

Foram muitos aprendizados. Voltei cansada, mas feliz por saber que tudo está no lugar que deveria estar e aprendi que mesmo que eu ache que não estou controlando as coisas, estou tentando e essa é uma abordagem que te cansa muito porque você não percebe no momento. Foi bom me dar conta disso. Há certas coisas que não estão no nosso escopo de resolver e tudo bem. Vai passar. Tudo passa.

Quando a felicidade invade

Abri essa página em branco sem fazer a menor ideia do que iria escrever ou como eu queria que esse texto saísse, mas senti que era um texto para você. Sobre o meu amor por você. E por saber que esse sentimento é capaz de mover muita coisa sozinho, vou deixar que meus dedos transmitam o que meu coração está sentindo nesse exato momento.

Eu tenho uma tendência absurda a escrever sobre coisas que me machucam profundamente. Já tentei me afastar disso e confesso que venci a batalha do pessimismo diversas vezes desde a criação desse blog, mas quero que você saiba que durante anos os meus blogs, meus rascunhos e meus diários carregaram pesos que eu não conseguia mais suportar. Eu era uma pessoa muito mais insegura do que sou hoje e isso é possível enxergar lendo as páginas de diários antigos. Coincidentemente, desde que você chegou na minha vida, comecei a escrever menos nos meus diários e os textos pessimistas começaram a trazer uma perspectiva muito melhor.

No começo, achei que tinha algo me bloqueando, mas a verdade é que quando eu vivo coisas legais demais, tenho tendência a escrever textos muito pequenos e ruins porque se eu escrevo para “tirar” coisas da minha mente, os momentos MUITO bons não podem ser transcritos para o papel por causa do medo que sinto de esquecê-los. Uma bobagem minha, eu sei, mas talvez seja por isso que demoro tanto para escrever sobre as coisas boas que me acontecem. Comecei um exercício no começo do ano que abandonei onde eu escrevia todos os dias três coisas que me fizeram feliz naquele dia e logo deixei de lado. É engraçada essa tendência que tenho de guardar por escrito o que é ruim e deixar todo o meu sentir para o que é bom. Enfim.

O que quero dizer é que talvez seja a hora de escrever sobre você e sobre como dentro de tudo o que a gente já viveu, me sinto uma das pessoas mais sortudas do mundo por ser amada e poder amar dessa forma. Sobre como a alegria me contagiou desde então. Sobre como encontrei meu melhor amigo dentro do corpo do cara que eu amo. Sobre como as aventuras que a gente se mete são doidas e engraçadas e sobre como dormir com você me dá a sensação de que estou em casa (o que, já te disse, NÃO É FÁCIL). Além de tudo, como tudo isso que a gente tem só faz mais sentido com o passar do tempo mesmo com as dificuldades que a gente tem vivido. É importante ver sentido, é importante acreditar e todo santo dia eu agradeço a Deus por me colocar do lado de uma pessoa que me ensina tanto da maneira mais leve possível.

nós

É sobre esse tipo de sentimento e sensação que quero escrever a partir de agora. Sobre coisas leves. Sobre situações que me deixaram nas alturas. Sobre nosso amor. Sobre tudo de bom que já vivi e não registrei. Vai ser um trabalho difícil, mas eu garanto que daqui a alguns anos, quando a gente estiver no meio das nossas rotinas loucas e morando juntos, quando abrir o meu diário, meu blog ou sei lá o que, eu quero ser capaz de sentir a felicidade, o amor e a excitação que estava sentindo no momento que vivi nesses momentos.

Obrigada por esse infinito e essa felicidade clandestina.

Um mês em Sorocaba

Segunda-feira, dia 14, completei um mês morando em Sorocaba. Fico feliz de dizer que hoje minha vida se encontra mais dentro dos trilhos. Estou cada vez mais acostumada à rotina intensa e tentando dar o melhor de mim em tudo, me dedicando ao trabalho e, ao mesmo tempo, tentando cuidar de mim quando chego em casa (entrei na academia!). As novidades agora vem de dentro da rotina ou de quando descubro alguma coisa legal perto de onde moro. A saudade de Aracaju já não é algo que arde no meio da semana, apesar da vontade de estar lá começar a dar pontadas logo na sexta-feira à noite. Como hoje é sábado e estou sem perspectiva nenhuma de sair, a saudade bateu bem forte (sorte a minha que minha mãe e meu namorado não se importam de fazer vídeo-chamada em momentos aleatórios do dia).

Ainda não conheci ninguém a ponto de ter uma intimidade que me instigue a convidar para sair comigo e isso pesa um pouco nos finais de semana. Eu sempre gostei de ficar sozinha e isolada no meu quarto em Aracaju, mas isso porque eu sabia que tinha a escolha de estar com alguém ou não. Hoje não tenho mais essa escolha e dói um pouco se ver tão sozinha. Tenho encontrado um pouco de alívio nas tarefas domésticas, nas conversas com meus cactos ou ao ver receitas diferentes que não sei se vou fazer na internet. Às vezes me arrisco a ir no shopping só para ver as pessoas passando, entrar na livraria e sentir saudade do quanto eu conseguia ler ou dar uma olhada nas roupas. Nada demais.

Me acostumar à Sorocaba não foi tão difícil porque muitas coisas lembram meu intercâmbio na Alemanha. A empresa no meio de uma floresta, as caminhadas que preciso dar até chegar no meu departamento, o frio, a necessidade de me virar com o que tem para comer em casa, a cidade calma e cheia de parques verdes. Às vezes fecho os olhos, regresso para 2014 e sinto um quentinho no coração. Até no meu trabalho o foco é com algo relacionado ao que trabalhei no estágio que fiz na Alemanha, então tudo parece familiar, mesmo que na essência não seja. Em relação às pessoas, ainda estou formando minha opinião, mas em geral as pessoas são muito legais e simpáticas. Os ubers que peguei aqui todos possuem histórias legais para contar e parecem super interessados no que você está achando da cidade.

Minha vida não é um filme, mas ainda bem que quase todos os dias tenho episódios engraçados e a chance de rir muito com o pessoal da trabalho. Sei que aos poucos vou levando a vida e encontrando uma maneira de conhecer mais gente. Por enquanto tem sido uma caminhada um pouco solitária, mas tudo o que preciso é ter paciência mesmo.

 

Fragmentos #1

Escolher enxergar a vida por uma ótica mais poética é um exercício muito gostoso que todo mundo deveria fazer de vez em quando. De repente, coisas que estavam ali na sua frente desde sempre começam a ser notadas de uma forma muito intensa. O balançar das folhas das árvores, a noção do quanto seu cacto cresceu, o céu que se põe cor-de-rosa no horizonte, as formigas que fazem fila até chegar no doce que você esqueceu na mesa. Parece que o mundo começa a girar em câmera lenta e você pode se dar o luxo de ficar ali parado por alguns minutos observando como a vida funciona fora da sua cabeça. Em coisas absolutamente pequenas você começa a enxergar uma beleza extraordinária e começa a ser grato por poder presenciar esses pequenos milagres diários.

(…)

Recentemente, tenho visto muitos episódios de Grey’s Anatomy um atrás do outro. Sei que esse seriado vai trazer muitas desgraças daqui pra frente e sei também que meu coração será partido um milhão de vezes, mas mesmo assim eu decidi dar uma segunda chance. Se tanta gente fala tanto sobre ele, é porque existe um motivo. O que me agrada é a semelhança daqueles personagens com a vida real. Eu não enxergo personagens, enxergo pessoas que se embolam em um monte de mentiras achando que as coisas vão passar e não vai ser um problema ter mentido ou omitido questões, tentando levar um dia após o outro com seus problemas pessoais e familiares enquanto estão tentando salvar a vida de outras pessoas. É um seriado muito intenso. Ainda bem.

george stevens GIF

(…)

Não consigo escolher um tema que me agrade no blog a ponto de deixar o suficiente para que vocês consigam reconhecê-lo assim que o abrem. Sei que esse troca-troca é chato, mas eu preciso me sentir em casa para conseguir escrever mais e preciso que ele traga a simplicidade que estou procurando na minha vida e nos meus dias. Talvez ter colocado o nome de uma cor no título do blog não tenha me ajudado muito, mas é isso aí. Se eu começar a colocar cores amarelas, vermelhas e azuis, saibam que pink ainda é minha cor.