A jornada da autoaceitação

Desde que comecei a tomar consciência de quem sou e quem estou me tornando, percebi que sou refém de uma autoestima baixa. Essa semana isso foi comprovado quando meu namorado sugeriu que eu baixasse o Cíngulo (estou cheia de dicas esse mês kkk) no celular, um app que analisa como estão seus níveis emocionais no momento. Para a surpresa de ninguém, o que li naquela tela era que eu não só tinha uma autoestima baixa como também estava com a autoestima frágil. Acredito ser o combo da Era Millenial.

Com esse diagnóstico, achei engraçado o fato que venho consumindo MILHARES de conteúdos sobre autoestima na internet através de @s como a da Carol Garcia, Marci Marciano, GWS nos últimos meses e que, pelo visto, isso não tem dado conta dos danos que eu mesma causo/causei aqui dentro. Danos esses que, às vezes, em brincadeiras que faço com meus amigos e namorado são o mais puro reflexo das minhas inseguranças. Não é legal se chamar de FRAUDE em relação à profissão. Eu não me sinto uma fraude e continuo brincando disso. Não é legal dizer que acho meu nariz HORROROSO quando na verdade entendi que é genética e passei a aceitá-lo há anos e me sinto tranquila com ele. Há algo errado em tudo isso.

Em relação ao meu corpo, tenho consciência de tudo o que a mídia e os padrões de beleza fazem com a nossa cabeça. Já vi vídeos de pessoas usando o photoshop para uma pessoa dentro do padrão parecer mais perfeita ainda mais de uma vez. Já presenciei e fiz parte de conversas com amigas de todos os tamanhos possíveis inconformadas com o corpo dizendo coisas como “eu queria mais bunda”, “eu queria ficar mais malhada”, “essa gordura nas minhas costas me incomoda muito”, numa conversa infinita em que ninguém apreciava o que era bonito na outra, sendo apenas um disparate sem fim de críticas. Conversas que se repetem, mesmo que em menor quantidade, mas que fazem mal a ponto de eu estar bem com o meu corpo e ainda assim sentir necessidade de criticá-lo.

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Isso chegou a um ponto que não preciso me reunir com outras pessoas para ter esse tipo de conversa depreciativa comigo mesma sobre o meu corpo, sobre quem eu sou, sobre minha postura, meus hábitos e meus interesses. Enfim, sobre a minha essência. Parece que tudo ficou passível de crítica e depende da aprovação dos outros e aqui não estou não estou fazendo alusão a redes sociais, mas tão só a vida real mesmo. O mais engraçado é que meus amigos não tem noção da profundidade dessas inseguranças. Acho que o que me mantém seguindo em frente é o fato que muitas vezes eu ligo o foda-se e ajo como eu quero diante de situações e sempre estou fazendo graça das coisas. Torna tudo mais fácil, até porque meu medidor de sucesso sempre foi e sempre será a risada dos outros.

A maior prova desse “meter o louco” seguido de comiseração que está intrínseco a mim é que eu cortei o cabelo BEM curtinho ontem e, apesar de ter AMADO na hora que vi no salão e saí na rua sentindo a brisa na nuca, eu comecei a fazer brincadeiras dizendo que estava parecendo um menino e que o meu cabelo parecia um capacete. Às vezes realmente me dá essa sensação, mas o que custa dizer que achei lindo algo que fiz por mim? Que necessidade é essa de me fazer de coitadinha para os outros virem amaciar meu ego e dizer que ficou lindo? Por que eu preciso disso? Tudo faz parte da insegurança, eu sei, mas quero achar a raiz dessas coisas.

O que quero saber diante desse texto todo é: o que preciso fazer para trabalhar essa autoestima que é tão abalável e tão baixa? Se alguém tiver uma resposta, por favor, me avisa.

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Sobre a minha compulsão por doces

Eu como compulsivamente. Sou viciada em doces, balas, bolos, refrigerantes e há dias em que, infelizmente, tenho todo esse tipo de comida aqui em casa e como tudo num surto no final da tarde. Geralmente começa às 15h com um vício que tenho de tomar café, mas o problema mesmo começa às 16:30h. Quando bate esse horário, tenho um desejo incontrolável de comer misturado com o calor e uma angústia existencial internalizada sobre o que estou fazendo da minha vida e começo a me perguntar qual é a minha relevância nesse plano. Parece besteira, mas depois que você passa dois meses em casa sem respostas concretas do que você apostou para o seu futuro, os dias começam a ficar desesperadores.

Então eu como. Eu como muito e depois me sinto mal fisicamente e emocionalmente. Meu estômago é sensível e começa a doer, depois começo a suar e só então vem a culpa. A culpa por estar entupindo meu corpo de alimento processado que eu tenho noção que faz mal para o seu funcionamento. Tenho culpa quando enxergo a celulite na minha perna, tenho culpa quando abro a avaliação física que fiz em janeiro e constava que eu tinha 10 kg de gordura acima do que é considerado saudável e que essa gordura tá presa no lugar mais difícil de sair: o abdômen. Tenho culpa quando como tanto e vou na academia sem força nenhuma para continuar os exercícios ou acompanhar as aulas de fitdance. Tenho culpa 24h por dia e me sinto exausta. Vivo com sono, vivo cansada, vivo sem paciência e, na maioria das vezes, triste.  Triste por não conseguir controlar esses impulsos. Triste por ler e saber tanto sobre as coisas que eu como que vão me fazer mal a longo prazo e mesmo assim não conseguir dar um basta de verdade. Triste por acordar determinados dias e dizer “só vou comer doce 3x na semana em pequenas porções” e acabar comendo TODOS OS DIAS porções imensas.

Isso não é uma luta contra a balança. Isso é uma luta contra a minha cabeça, meus hábitos, meus impulsos, meus medos, doenças crônicas, doenças genéticas e tudo o que vai além do “perder peso”. É uma batalha diária e essa batalha dói.

Do coração

Certa vez alguém me disse que as experiências que mais nos machucam são aquelas que moldam o nosso caráter e nos ensinam quem somos nessa vida. Eu passei meses tentando bater na tecla que era possível aprender só pelo amor e que a vida não precisava doer tanto. Ledo engano: tudo o que sou hoje é resultado das partes mais doloridas de mim. Da parte em que tive que reaprender a andar depois da cirurgia da coluna. Da parte em que eu chorava no banheiro da universidade por causa de uma nota baixa ou porque me sentia injustiçada por um professor. Da parte em que tive que ouvir ou saber de outras pessoas que elas me subestimavam. Da parte em que eu implorava para alguém me amar de volta. Da parte em que soube que eu machuquei tanto alguém que amava. Da parte em que me dei conta de que deixei um amigo na mão. Das tantas partes em que parei olhando para o teto pensando se a vida era aquilo mesmo…

Não são, entretanto, nos momentos em que estamos vivendo essas partes que a gente se dá conta da importância delas. É depois. É com aquilo que restou de nós depois de termos sido devastados. É naquela parte em que a gente junta os cacos e diz que aquilo não vai acontecer de novo que a gente encontra forças pra se reconstruir.

Falamos com frequência que estamos em construção, mas prefiro acreditar que muito do que a gente vai se tornando é vindo de uma reconstrução. A vida bate e abala suas estruturas, cai um tijolo aqui ou desloca uma coluna ali, e nós temos todo um esforço para conseguir colocar tudo no lugar. Às vezes a gente até precisa derrubar uma parte da primeira estrutura para recriar algo maior e melhor. É assim que a gente é. É assim que eu sou. Tudo isso para dizer que não há salvação. Viver é muito mais do que acontece na nossa cabeça e do que a gente enxerga. Aos poucos a gente se torna aquilo que quer ser sem nem perceber.

“Ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana” disse Carl Jung e sigamos todos juntos aprendendo a nos reconstruir com o que a vida fez de nós.

Exercícios físicos e limites

Eu nunca gostei muito de exercícios físicos. No ensino fundamental, fiz natação e karatê e ia morrendo para as duas aulas. Na educação física, era uma das últimas a ser escolhida para os jogos porque era gordinha e desengonçada (já me falaram isso). Pedi para minha mãe me matricular no ballet e odiei toda aquela história de postura e ficar quieta em um canto. Acho que o único exercício que de fato me fez bem foi a ginástica olímpica, porém sempre fui medrosa demais com medo de me quebrar toda e não aprendi a dar uma estrelinha direito.

Dá para ver que não esporte não era meu clube.

Quando cresci, não foi muito diferente, com a exceção de que voltei para a natação e encontrei a chance de melhorar da minha cirurgia de coluna mais rápido. Foram três anos de natação em um clube perto de casa, reconstruindo meu corpo e tendo ele bem fortalecido. Depois que saí, nunca mais consegui me envolver com exercício nenhum. A preguiça, o medo de machucar a coluna e a universidade ENGOLINDO toda a minha energia vital foram alguns dos motivos que me fizeram parar de tentar encontrar no esporte aquela leveza que tantos diziam que eu ia encontrar. Nesse meio tempo todo, me matriculei em academias que só ia uma semana e voltava um mês depois. Em algum momento, fiz pilates com regularidade, mas os intercâmbios que fiz favoreceram para quebrar essa rotina.

Esse ano, como já contei por aqui, não fiz nenhuma resolução de perder peso e me matricular na academia, coisa que desde os 18 anos sempre estavam presentes nas minhas metas anuais. Ano passado, com 24 anos, aprendi que preciso atender às minhas necessidades físicas e mentais e percebi que minha cabeça estava muito ruim depois da formatura. Ganhei uma bicicleta linda da minha mãe e decidi que ia fazer valer esse dinheiro que ela investiu. Até então, eu não estava matriculada em uma academia.

Andei de bicicleta em novembro e dezembro do ano passado de uma forma intensa. Ia em horários diferentes sempre passeando pelo mesmo lugar e, sem estar abitolada com a ideia de perder peso, podia apreciar as pessoas, o canto dos passarinhos, os patinhos na lagoa, a lua, o pôr-do-sol, os dias claros que me mostravam um verde lindo no caminho que até aquele momento eu nunca tinha parado para apreciar. Foram dias que me fizeram MUITO bem pra mente. Aprendi que tem dias que a gente só precisa sair para respirar um ar puro enquanto o corpo nos leva a lugares incríveis.

Em janeiro, decidi que queria fortalecer mais o corpo e acabei me matriculando em uma academia que não tinha ar-condicionado, mas que por indicação tinha profissionais animados e legais. Fiz a inscrição sem me cobrar demais, só por um mês para ver se ia gostar. e foi uma das melhores coisas que fiz por mim. Às vezes o conforto está na conversa tranquila e na atenção que o seu instrutor tem com você na hora de fazer exercícios e não no ar-condicionado. Comecei a malhar com frequência na academia, entendendo mais sobre as necessidades do meu corpo e sempre deixando o celular em casa. Era um momento só meu.

Agora em fevereiro, meu irmão insistiu para que eu fosse com ele fazer uma aula de Muay Thai. Fiquei com medo, novamente, por causa da coluna, mas acabei cedendo. E, para minha surpresa, fui nas duas aulas da semana passada. O Muay Thai está trazendo uma percepção muito foda do meu corpo, sempre me levando para alguns limites que eu não conhecia. Na última aula, o professor pediu que eu desse chutes e socos por 3 minutos com um leve intervalo de 30 segundos. Foi tão exaustivo que senti meu músculo do braço tremendo, mas depois disso, parece que minha mente ficou vazia. Que toda e qualquer coisa que pudesse ser um ponto de preocupação, ficou mais fácil de resolver porque eu não queria gastar energia que não tinha pensando em infinitas possibilidades. Quando você está cansado fisicamente, só existe uma resposta para o problemão que você estava criando na sua cabeça e tudo fica mais simples.

Se me falassem isso uns dois anos atrás, eu riria e falaria que a pessoa está louca. Sempre tive esse conceito que eu era muito frágil por causa dos ossos quebrados, tornozelos torcidos e coluna parafusada que tenho, mas acho que a gente precisa se desafiar pra descobrir o que é qualidade de vida pra gente, sabe? No momento, qualidade de vida pra mim está sendo escutar o professor dizendo que estou errando, mas indo bem e usando toda a minha força para conseguir fazer as coisas certas na aula de Muay Thai.

Como se não bastasse, ontem fiz a minha primeira trilha na vida ao lado do meu namorado. 14 km com subidas e descidas íngremes, sem contar a subida e descida da cachoeira em si. Eu não estava esperando por isso e, com certeza, foi algo DEMAIS para mim que não estava acostumada. Foi um momento de dor absurda, de vontade de chorar na volta achando que ia morrer e ficar por ali, de dor nos pés, na perna, na coluna, de reduzir as passadas, de ficar calada do lado do meu namorado para poupar minha energia, de parar no meio das subidas e xingar um pouco essa ideia MALUCA que a gente teve, de querer fingir que a cachoeira era aquele monte de areia e rolar no chão, de molhar o tênis no meio da caminhada umas três vezes e ter que prosseguir andando porque o grupo não ia parar. Foi foda, mas também no momento que tomamos banho no rio senti uma das sensações mais gostosas da vida. Poder ficar sentada no meio do mato com os olhos fechados para ouvir os passarinhos cantando de um lado e a cachoeira jorrando água do outro também foi um momento recompensador. Existe paz no meio da dor e acho que a vida ensina isso para nós de diversas maneiras.

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Preciso reconhecer que se eu tivesse feito isso sozinha, ia ser uma experiência muito mais dolorosa. Sou muito grata por Marcos (meu namorado) ter cantado músicas do meu lado (músicas que ficaram ecoando na minha cabeça em vários momentos), conversado comigo, reduzido o passo para me acompanhar DIVERSAS vezes, entender que eu não ia conseguir conversar em alguns momentos, não reclamar NUNCA de eu precisar parar no meio do caminho e segurar minha mochila algumas vezes quando ele via que eu estava sofrendo demais. Eu amo tanto esse homem que não consigo nem escrever em palavras direito. Eu sei que tudo valeu à pena porque pude compartilhar todos esses momentos com ele. Dos bons aos ruins. Na alegria e na tristeza. No amor e na dor. É incrível ter essa noção e consciência um ano e meio depois de namoro que tenho uma pessoa brilhante e carinhosa do meu lado (obrigada, amor).

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Tudo isso para dizer que no meio dessas experiências desafiadoras, me descobri uma pessoa muito mais forte e muito mais sortuda da vida que tenho. De repente virei uma dessas pessoas que falam que tudo está na sua mente, inclusive as suas limitações. Ainda tenho medo pela minha coluna e procuro fazer tudo certo, mas isso já não é mais um motivo para me frear de conhecer coisas incríveis, desafiadoras e legais. A vida é muito curta para nos privarmos tanto.

Um giro no mundo da internet

Aparentemente vem surgindo uma onda nos espaços da internet que frequento (twitter e newsletter) de pessoas cansadas da web que estão precisando de um descanso mental. Achei engraçado. Desde o final do ano passado venho tentando melhorar minha relação com as redes sociais e o mundo real. Se a gente for parar para pensar a fundo nos porquês das nossas postagens e compartilhamentos,  veremos que na realidade o ato de usar a internet virou algo automático e não muito reflexivo. A gente precisa postar, se integrar, mostrar nossa opinião. Queremos ter voz, queremos ser vistos e qual o melhor lugar para isso? A internet. É tudo muito fácil por aqui com todos esses likes e redes sociais interligadas. Por causa disso, estamos pagando um preço muito alto que não sei se vocês perceberam, mas é com a nossa saúde mental.

Nunca se falou tanto sobre ansiedade e depressão como nas redes sociais hoje em dia. Eu já tive gastrite nervosa e crises de ansiedade horríveis por sentir que não ia dar conta de fazer tudo e participar de tudo e, pior, ser a melhor nas coisas que eu me propunha. Balancear uma vida online e offline é para os fortes e acho que como a maioria das pessoas, eu não soube fazer isso. Quantas vezes deixei/deixo de sair com meus amigos para estar aqui na internet me informando? Ou me atualizando de uma série? Ou interagindo em blogs de discussão? A resposta é mais do que eu posso me dar conta.

Quando a gente para de ter contato humano direto, a coisa desanda, já perceberam? Pelo menos foi o que comecei a observar comigo. Os momentos que mais sinto paz de espírito no meu dia é quando saio para andar com os cachorros porque não levo meu celular e comprimento as pessoas na rua, solto um sorriso aqui e ali ou quando vou para a academia e fico conversando com o instrutor enquanto caminho na esteira olhando um coqueiro balançar. Nos fins de semana, estou me propondo ficar mais perto das pessoas que gosto ou mais aberta a conhecer pessoas novas. Há algo muito poderoso no momento que a gente abraça um amigo ou começa a fazer conexão com alguém que vai além da minha capacidade de explicar. A felicidade só é real quando compartilhada.

A Anna escreveu na newsletter dela dessa semana sobre como ela sente falta de uma internet sem uma quantidade absurda de ruído e como isso tem desgraçado a cabeça dela. Tem sido difícil para muita gente porque queremos seguir todo mundo que a gente gosta, estar por dentro, ser o mais antenado, escrever as coisas mais legais e ter o maior alcance possível. Isso é fato. Mesmo nas pequenas coisas os algoritmos condicionam a gente a isso. Quem nunca ficou triste por aquela foto que a gente achou que tinha ficado genial não ter tido a quantidade de likes que a gente queria? Ou aquele tweet que a gente achou lacrante que não teve a resposta do público?  Toda vez que abro o WordPress, ele me pergunta se não quero colocar um anúncio para monetizar o site, mas eu não quero.

Depois que os blogs e sites são monetizados, as coisas começaram a parecer mais do mesmo para mim. Existe uma pressão tão doida para estar por dentro, para ser o primeiro a falar sobre determinado assunto, para lançar aquele texto que vai fazer todo mundo ficar “oohh” que as coisas perderam a graça. Você tem 30 booktubers falando sobre o mesmo livro, 60 sites escrevendo sobre aquele filme que acabou de ser lançado mostrando 345 pontos de vista diferentes e, no final das contas, a gente acaba lendo mais sobre essas opiniões do que de fato se divertindo ao assistir ou ler sobre alguma coisa. Isso quando a gente não se sente paralisado com A QUANTIDADE DE COISAS que precisamos acompanhar para estar por dentro. A internet está caminhando para uma implosão e gosto da ideia de que essa implosão pode levar a gente para os primórdios dos blogs simples, mas vamos aguardar, posso estar errada.

Esse continua sendo meu único jeito de desabafar : Foto

Eu não quero ser a pessoa ranzinza que vai falar mal da internet porque assim como a Luiza Voll e a Anna falaram, ela me deu muitas coisas boas e me aproximou/aproxima de gente muito especial e legal. Acho que agora só precisamos remodelar como nos envolvemos com ela e a consumimos. Isso tem muito a ver com uma filosofia que vou adotar para o meu ano que é de go deeper, not wider. Basicamente, ela diz pra gente não ficar tentando expandir conhecimento ou afazeres o tempo todo, mas sim nos aprofundarmos em questões que já estamos interessados.  Vale a leitura do texto!

Esse post tá meio confuso, mas as referências são legais. É para não esquecer mesmo.

 

A vida é engraçada do jeito que é

Ou: como não temos controle de nada

Serei aquele tipo de pessoa chata que vai falar sobre como o tempo já está passando rápido demais porque não sei se vocês perceberam, mas ele está. Já é 17 de janeiro e faz quase 15 dias que escrevi o primeiro post do ano. Me pergunto se isso é virar adulto: não perceber o tempo caminhando pra frente enquanto estamos sendo engolidos por prazos, vida social, trabalho, estudos, etc.


É engraçado como na vida a gente sempre acha que está sob controle de algumas coisas. Você já está conformado com a rotina, está estudando, sendo grato todos os dias (de verdade), amando sua família, seu namorado, seus bichinhos, lendo seus livros, desbloqueando crises internas e, de repente, bam, seu pai sofre um acidente carro mesmo sempre dirigindo a 40 km/h, você machuca os sentimentos do seu namorado, seu irmão é assaltado andando de bicicleta com o amigo e alguém bate no carro da sua mãe. Tudo isso em um período de duas semanas.

Adivinha só, a gente não tem controle de nada.

Em outras épocas talvez eu estivesse entrando em uma crise de ansiedade daquelas que a gente perde o ar e acha que vai morrer porque está com medo do que está por vir e estaria só me fechando dentro da minha bolha, ficando mais próxima ainda de quem eu amo e evitando toda e qualquer atividade fora de casa. Mas como disse, isso seria em outras épocas. Todos esses acontecimentos colocaram muita coisa sob perspectiva pra mim. Eu podia ter perdido a maioria das pessoas que amo logo em janeiro, mas escolhi ver o melhor lado da situação toda (e olha que não sou aquela pessoa good vibes que vê um lado positivo em tudo).

Cada vez mais acredito que tudo o que a gente sobrevive na vida é uma chance da gente melhorar como ser humano. Eu não sou religiosa, oscilo muito sobre o que acredito ou não, mas sei que acredito em energia, em reencarnação e, mais que tudo, cada vez mais acredito que a vida nos da chances de fazermos tudo dar certo. O que quer que seja fazer a vida dar certo. Esse ano ainda quero ir em algum centro espírita para ver se consigo encaixar as minhas visões de vida em alguma coisa. Acho que é importante a gente ter um grupo em que possamos sentir uma boa energia vibrando. Orar também é meditar, no final das contas, e meditar traz a calma que a gente precisa para a cabeça.

Entre todos esses acontecimentos, fiz uma prova de mestrado para uma universidade top na minha área. Foi a primeira vez que fiz uma prova relativamente tranquila. Não entrei em pânico, não botei aquilo num pedestal como se fosse minha única e última chance porque sei que nunca é. A gente gosta de achar que é, mas acredito que o que tem que acontecer, vai acontecer. Eu sabia que tinha estudado para aquilo, algumas coisas mais e outra menos. Sabia que o resultado seria de acordo. Fiz o que pude dentro de todo o estresse do acidente do meu pai e do estresse emocional com meu namorado. Agora só estou esperando o resultado que sai na próxima segunda-feira (torçam por mim!).

No final das contas, joguei nas mãos do universo sem tentar controlar muito as coisas. No dia seguinte da prova, meu irmão e meu namorado chegaram em Salvador para passearmos e nos curtir. Eu sabia que podia ser um desastre para mim e para Marcos (namorado), mas o efeito foi oposto. A gente viveu o que com certeza vou elencar  na retrospectiva do final do ano como “melhores momentos de 2018”. Não fizemos planos muito engessados, subimos e descemos ladeiras aleatórias do pelourinho, fomos no mercado modelo, fizemos compras no shopping e tomamos banho de mar em Itapuã. Entre essas coisas, foram dados muito sorrisos. Coisas saíram do nosso controle (por exemplo, acabou a energia da casa que a gente estava e passamos calor durante a noite), mas mesmo assim a viagem foi excelente. 5 estrelas ao meu ver.

Acho que na vida a gente precisa aprender a entregar as coisas e a confiar no que o universo pode fazer por nós. Se libertar do controle. Não quero aqui entregar fórmula para a felicidade nem nada, muito menos dizer que todo mundo deve largar o que está sendo difícil. Precisamos continuar batalhando pelos nossos objetivos, dar o nosso melhor e simplesmente tentar fazer as coisas funcionarem para nós da maneira que mais faz sentido pra gente. Tenho feito isso. Não sei se estou fazendo certo, mas sei que o medo não tem sido o que me rege na minha vida e isso depois de muito tempo que isso foi uma verdade para mim.

So this is the new year

Ano novo, vida nova. Todos gostamos de pegar carona nessa energia mundial de recomeços para tocar para frente os nossos planos, projetos, metas e afins, porém esse ano resolvi fazer algo diferente para os meus padrões. Resolvi começar algumas das minhas metas já em dezembro de 2017. Peguei toda aquela ansiedade horrível que estava sentindo entre novembro e dezembro e comecei a pensar no lugar que queria chegar e como eu queria estar quando chegasse lá. 2017 talvez tenha sido o ano MAIS CONSCIENTE das coisas que estavam acontecendo a minha volta que eu já vivi na minha vida e, apesar das dificuldades, agradeço a ele por me dar força e me empurrar para frente mesmo quando as coisas estavam exaustivas.

Resolvi começar a colocar as metas para acontecer logo em dezembro do ano passado porque li certa vez que começar vários hábitos de uma vez era algo mais difícil para o seu cérebro assimilar e que muito provavelmente você iria acabar deixando muitas delas de lado e ficar desanimado por não estar conseguindo atingir o que queria, acabando por virar uma bola de neve. Acreditei nisso e há um mês ou menos venho plantando coisas que quero cultivar em 2018, sempre com a mente aberta para uma resposta como o não. 2017 me ensinou muito sobre essa história do o que tiver que acontecer, vai acontecer e acho que isso tira muita pira desnecessária da nossa cabeça.

Tem sido interessante fazer isso porque pela primeira vez na vida comecei a quebrar minhas metas e criar um planejamento (namorem virginianos) de como posso atingi-las. Desde o ano passado venho fazendo minha própria agenda e acho que agora ela pegou formato de bullet journal, mas não achem que é a coisa linda que o pessoal posta nas redes sociais kkkk. Nele eu faço tracking de várias coisas além das metas diárias como exercícios físicos, páginas lidas por dia, se meu intestino tá funcionando de forma regular (tmi). Apesar de sempre ter tido pouca paciência para essas coisas DIY, pintar e fazer umas gracinhas nesse caderno tem me deixado muito leve e muito tranquila e já me peguei pensando que gostaria de aprender tricô.

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As coisas que quero tricotar

Não vou entrar muito em detalhes sobre todas as minhas metas do ano novo, mas tenho uma palavra para me guiar em 2018 e essa palavra é coragem. Coragem para cuidar de mim, coragem para sair da zona de conforto, coragem para pedir perdão e coragem para perdoar também. O mundo está doido e a gente precisa muito ser forte para lidar com toda essa onda de intolerância, ansiedade, FOMO e muitas outras coisas. Há muito tempo venho me maltratando por não sentir que estou vivendo minha vida da maneira que ela deve ser vivida, mas ontem tive uma conversa com as minhas amigas e elas disseram que sentiam a mesma coisa. A gente nunca vai conseguir acompanhar todos os livros, todas as notícias, todos os vídeos e balancear isso com uma vida saudável que inclua estudos, trabalho, amor, amizade e família.

Por causa desse pensamento, esse ano resolvi pegar leve com as minhas metas e parar de colocar no papel coisas como perder 5 kg e coisas assim. Fui ontem na academia e me inscrevi, fiz avaliação física e descobri que estou com 10 kg só de gordura no corpo. A instrutora me perguntou onde eu queria chegar na academia, se queria o corpo do verão, etc, e eu só disse olha, eu poderia dizer para você que quero ser a sarada (que merda de palavra é essa kkk), ter bundão e tudo mais, mas na real eu só quero parar de me sentir cansada o tempo todo e quero ter força para fazer coisas diferentes sem ter medo de me quebrar toda. Falar isso em voz alta foi terapêutico para mim e pela primeira vez descobri que era o que eu realmente pensava (não falei para parecer cool ou me cobrar para aceitar meu corpo). Há muito tempo que deixei de seguir gente fit, só o assunto de gente fitness me dá enjoo e faz eu querer me enfiar em um buraco para nunca mais sair. Minha resolução em relação a isso é ser saudável, permitir que meu sangue seja bombeado pelo corpo todo só porque meu músculo cresceu, sabe? Isso dentro de uma resolução de ano novo que é me amar mais.

Acho que a gente precisa parar um pouco de esperar essa grandes datas de mudanças de ciclo para começar o que de fato queremos. Se você tem a ideia de andar todo dia com seu cachorro, não espere a segunda-feira para começar. Comece hoje na sexta-feira mesmo e pegue toda essa vontade, essa ideia que você teve para executá-la porque como disse Pitty em toda sabedoria não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar, não deixe nada para a semana que vem porque semana que vem pode o tempo chegar. Isso também virou uma das minhas resoluções de ano novo. Faça, mas faça agora. Tem um tom de ordem porque às vezes porque preciso ser dura comigo mesma para conseguir fazer minhas coisas. Adapte e faça o que funciona pra você. Não vai se arrepender. É isso.

Feliz ano novo! ❤