Amor · Reflexões

Exercícios físicos e limites

Eu nunca gostei muito de exercícios físicos. No ensino fundamental, fiz natação e karatê e ia morrendo para as duas aulas. Na educação física, era uma das últimas a ser escolhida para os jogos porque era gordinha e desengonçada (já me falaram isso). Pedi para minha mãe me matricular no ballet e odiei toda aquela história de postura e ficar quieta em um canto. Acho que o único exercício que de fato me fez bem foi a ginástica olímpica, porém sempre fui medrosa demais com medo de me quebrar toda e não aprendi a dar uma estrelinha direito.

Dá para ver que não esporte não era meu clube.

Quando cresci, não foi muito diferente, com a exceção de que voltei para a natação e encontrei a chance de melhorar da minha cirurgia de coluna mais rápido. Foram três anos de natação em um clube perto de casa, reconstruindo meu corpo e tendo ele bem fortalecido. Depois que saí, nunca mais consegui me envolver com exercício nenhum. A preguiça, o medo de machucar a coluna e a universidade ENGOLINDO toda a minha energia vital foram alguns dos motivos que me fizeram parar de tentar encontrar no esporte aquela leveza que tantos diziam que eu ia encontrar. Nesse meio tempo todo, me matriculei em academias que só ia uma semana e voltava um mês depois. Em algum momento, fiz pilates com regularidade, mas os intercâmbios que fiz favoreceram para quebrar essa rotina.

Esse ano, como já contei por aqui, não fiz nenhuma resolução de perder peso e me matricular na academia, coisa que desde os 18 anos sempre estavam presentes nas minhas metas anuais. Ano passado, com 24 anos, aprendi que preciso atender às minhas necessidades físicas e mentais e percebi que minha cabeça estava muito ruim depois da formatura. Ganhei uma bicicleta linda da minha mãe e decidi que ia fazer valer esse dinheiro que ela investiu. Até então, eu não estava matriculada em uma academia.

Andei de bicicleta em novembro e dezembro do ano passado de uma forma intensa. Ia em horários diferentes sempre passeando pelo mesmo lugar e, sem estar abitolada com a ideia de perder peso, podia apreciar as pessoas, o canto dos passarinhos, os patinhos na lagoa, a lua, o pôr-do-sol, os dias claros que me mostravam um verde lindo no caminho que até aquele momento eu nunca tinha parado para apreciar. Foram dias que me fizeram MUITO bem pra mente. Aprendi que tem dias que a gente só precisa sair para respirar um ar puro enquanto o corpo nos leva a lugares incríveis.

Em janeiro, decidi que queria fortalecer mais o corpo e acabei me matriculando em uma academia que não tinha ar-condicionado, mas que por indicação tinha profissionais animados e legais. Fiz a inscrição sem me cobrar demais, só por um mês para ver se ia gostar. e foi uma das melhores coisas que fiz por mim. Às vezes o conforto está na conversa tranquila e na atenção que o seu instrutor tem com você na hora de fazer exercícios e não no ar-condicionado. Comecei a malhar com frequência na academia, entendendo mais sobre as necessidades do meu corpo e sempre deixando o celular em casa. Era um momento só meu.

Agora em fevereiro, meu irmão insistiu para que eu fosse com ele fazer uma aula de Muay Thai. Fiquei com medo, novamente, por causa da coluna, mas acabei cedendo. E, para minha surpresa, fui nas duas aulas da semana passada. O Muay Thai está trazendo uma percepção muito foda do meu corpo, sempre me levando para alguns limites que eu não conhecia. Na última aula, o professor pediu que eu desse chutes e socos por 3 minutos com um leve intervalo de 30 segundos. Foi tão exaustivo que senti meu músculo do braço tremendo, mas depois disso, parece que minha mente ficou vazia. Que toda e qualquer coisa que pudesse ser um ponto de preocupação, ficou mais fácil de resolver porque eu não queria gastar energia que não tinha pensando em infinitas possibilidades. Quando você está cansado fisicamente, só existe uma resposta para o problemão que você estava criando na sua cabeça e tudo fica mais simples.

Se me falassem isso uns dois anos atrás, eu riria e falaria que a pessoa está louca. Sempre tive esse conceito que eu era muito frágil por causa dos ossos quebrados, tornozelos torcidos e coluna parafusada que tenho, mas acho que a gente precisa se desafiar pra descobrir o que é qualidade de vida pra gente, sabe? No momento, qualidade de vida pra mim está sendo escutar o professor dizendo que estou errando, mas indo bem e usando toda a minha força para conseguir fazer as coisas certas na aula de Muay Thai.

Como se não bastasse, ontem fiz a minha primeira trilha na vida ao lado do meu namorado. 14 km com subidas e descidas íngremes, sem contar a subida e descida da cachoeira em si. Eu não estava esperando por isso e, com certeza, foi algo DEMAIS para mim que não estava acostumada. Foi um momento de dor absurda, de vontade de chorar na volta achando que ia morrer e ficar por ali, de dor nos pés, na perna, na coluna, de reduzir as passadas, de ficar calada do lado do meu namorado para poupar minha energia, de parar no meio das subidas e xingar um pouco essa ideia MALUCA que a gente teve, de querer fingir que a cachoeira era aquele monte de areia e rolar no chão, de molhar o tênis no meio da caminhada umas três vezes e ter que prosseguir andando porque o grupo não ia parar. Foi foda, mas também no momento que tomamos banho no rio senti uma das sensações mais gostosas da vida. Poder ficar sentada no meio do mato com os olhos fechados para ouvir os passarinhos cantando de um lado e a cachoeira jorrando água do outro também foi um momento recompensador. Existe paz no meio da dor e acho que a vida ensina isso para nós de diversas maneiras.

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Preciso reconhecer que se eu tivesse feito isso sozinha, ia ser uma experiência muito mais dolorosa. Sou muito grata por Marcos (meu namorado) ter cantado músicas do meu lado (músicas que ficaram ecoando na minha cabeça em vários momentos), conversado comigo, reduzido o passo para me acompanhar DIVERSAS vezes, entender que eu não ia conseguir conversar em alguns momentos, não reclamar NUNCA de eu precisar parar no meio do caminho e segurar minha mochila algumas vezes quando ele via que eu estava sofrendo demais. Eu amo tanto esse homem que não consigo nem escrever em palavras direito. Eu sei que tudo valeu à pena porque pude compartilhar todos esses momentos com ele. Dos bons aos ruins. Na alegria e na tristeza. No amor e na dor. É incrível ter essa noção e consciência um ano e meio depois de namoro que tenho uma pessoa brilhante e carinhosa do meu lado (obrigada, amor).

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Tudo isso para dizer que no meio dessas experiências desafiadoras, me descobri uma pessoa muito mais forte e muito mais sortuda da vida que tenho. De repente virei uma dessas pessoas que falam que tudo está na sua mente, inclusive as suas limitações. Ainda tenho medo pela minha coluna e procuro fazer tudo certo, mas isso já não é mais um motivo para me frear de conhecer coisas incríveis, desafiadoras e legais. A vida é muito curta para nos privarmos tanto.

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Reflexões

Um giro no mundo da internet

Aparentemente vem surgindo uma onda nos espaços da internet que frequento (twitter e newsletter) de pessoas cansadas da web que estão precisando de um descanso mental. Achei engraçado. Desde o final do ano passado venho tentando melhorar minha relação com as redes sociais e o mundo real. Se a gente for parar para pensar a fundo nos porquês das nossas postagens e compartilhamentos,  veremos que na realidade o ato de usar a internet virou algo automático e não muito reflexivo. A gente precisa postar, se integrar, mostrar nossa opinião. Queremos ter voz, queremos ser vistos e qual o melhor lugar para isso? A internet. É tudo muito fácil por aqui com todos esses likes e redes sociais interligadas. Por causa disso, estamos pagando um preço muito alto que não sei se vocês perceberam, mas é com a nossa saúde mental.

Nunca se falou tanto sobre ansiedade e depressão como nas redes sociais hoje em dia. Eu já tive gastrite nervosa e crises de ansiedade horríveis por sentir que não ia dar conta de fazer tudo e participar de tudo e, pior, ser a melhor nas coisas que eu me propunha. Balancear uma vida online e offline é para os fortes e acho que como a maioria das pessoas, eu não soube fazer isso. Quantas vezes deixei/deixo de sair com meus amigos para estar aqui na internet me informando? Ou me atualizando de uma série? Ou interagindo em blogs de discussão? A resposta é mais do que eu posso me dar conta.

Quando a gente para de ter contato humano direto, a coisa desanda, já perceberam? Pelo menos foi o que comecei a observar comigo. Os momentos que mais sinto paz de espírito no meu dia é quando saio para andar com os cachorros porque não levo meu celular e comprimento as pessoas na rua, solto um sorriso aqui e ali ou quando vou para a academia e fico conversando com o instrutor enquanto caminho na esteira olhando um coqueiro balançar. Nos fins de semana, estou me propondo ficar mais perto das pessoas que gosto ou mais aberta a conhecer pessoas novas. Há algo muito poderoso no momento que a gente abraça um amigo ou começa a fazer conexão com alguém que vai além da minha capacidade de explicar. A felicidade só é real quando compartilhada.

A Anna escreveu na newsletter dela dessa semana sobre como ela sente falta de uma internet sem uma quantidade absurda de ruído e como isso tem desgraçado a cabeça dela. Tem sido difícil para muita gente porque queremos seguir todo mundo que a gente gosta, estar por dentro, ser o mais antenado, escrever as coisas mais legais e ter o maior alcance possível. Isso é fato. Mesmo nas pequenas coisas os algoritmos condicionam a gente a isso. Quem nunca ficou triste por aquela foto que a gente achou que tinha ficado genial não ter tido a quantidade de likes que a gente queria? Ou aquele tweet que a gente achou lacrante que não teve a resposta do público?  Toda vez que abro o WordPress, ele me pergunta se não quero colocar um anúncio para monetizar o site, mas eu não quero.

Depois que os blogs e sites são monetizados, as coisas começaram a parecer mais do mesmo para mim. Existe uma pressão tão doida para estar por dentro, para ser o primeiro a falar sobre determinado assunto, para lançar aquele texto que vai fazer todo mundo ficar “oohh” que as coisas perderam a graça. Você tem 30 booktubers falando sobre o mesmo livro, 60 sites escrevendo sobre aquele filme que acabou de ser lançado mostrando 345 pontos de vista diferentes e, no final das contas, a gente acaba lendo mais sobre essas opiniões do que de fato se divertindo ao assistir ou ler sobre alguma coisa. Isso quando a gente não se sente paralisado com A QUANTIDADE DE COISAS que precisamos acompanhar para estar por dentro. A internet está caminhando para uma implosão e gosto da ideia de que essa implosão pode levar a gente para os primórdios dos blogs simples, mas vamos aguardar, posso estar errada.

Esse continua sendo meu único jeito de desabafar : Foto

Eu não quero ser a pessoa ranzinza que vai falar mal da internet porque assim como a Luiza Voll e a Anna falaram, ela me deu muitas coisas boas e me aproximou/aproxima de gente muito especial e legal. Acho que agora só precisamos remodelar como nos envolvemos com ela e a consumimos. Isso tem muito a ver com uma filosofia que vou adotar para o meu ano que é de go deeper, not wider. Basicamente, ela diz pra gente não ficar tentando expandir conhecimento ou afazeres o tempo todo, mas sim nos aprofundarmos em questões que já estamos interessados.  Vale a leitura do texto!

Esse post tá meio confuso, mas as referências são legais. É para não esquecer mesmo.

 

Reflexões

A vida é engraçada do jeito que é

Ou: como não temos controle de nada

Serei aquele tipo de pessoa chata que vai falar sobre como o tempo já está passando rápido demais porque não sei se vocês perceberam, mas ele está. Já é 17 de janeiro e faz quase 15 dias que escrevi o primeiro post do ano. Me pergunto se isso é virar adulto: não perceber o tempo caminhando pra frente enquanto estamos sendo engolidos por prazos, vida social, trabalho, estudos, etc.


É engraçado como na vida a gente sempre acha que está sob controle de algumas coisas. Você já está conformado com a rotina, está estudando, sendo grato todos os dias (de verdade), amando sua família, seu namorado, seus bichinhos, lendo seus livros, desbloqueando crises internas e, de repente, bam, seu pai sofre um acidente carro mesmo sempre dirigindo a 40 km/h, você machuca os sentimentos do seu namorado, seu irmão é assaltado andando de bicicleta com o amigo e alguém bate no carro da sua mãe. Tudo isso em um período de duas semanas.

Adivinha só, a gente não tem controle de nada.

Em outras épocas talvez eu estivesse entrando em uma crise de ansiedade daquelas que a gente perde o ar e acha que vai morrer porque está com medo do que está por vir e estaria só me fechando dentro da minha bolha, ficando mais próxima ainda de quem eu amo e evitando toda e qualquer atividade fora de casa. Mas como disse, isso seria em outras épocas. Todos esses acontecimentos colocaram muita coisa sob perspectiva pra mim. Eu podia ter perdido a maioria das pessoas que amo logo em janeiro, mas escolhi ver o melhor lado da situação toda (e olha que não sou aquela pessoa good vibes que vê um lado positivo em tudo).

Cada vez mais acredito que tudo o que a gente sobrevive na vida é uma chance da gente melhorar como ser humano. Eu não sou religiosa, oscilo muito sobre o que acredito ou não, mas sei que acredito em energia, em reencarnação e, mais que tudo, cada vez mais acredito que a vida nos da chances de fazermos tudo dar certo. O que quer que seja fazer a vida dar certo. Esse ano ainda quero ir em algum centro espírita para ver se consigo encaixar as minhas visões de vida em alguma coisa. Acho que é importante a gente ter um grupo em que possamos sentir uma boa energia vibrando. Orar também é meditar, no final das contas, e meditar traz a calma que a gente precisa para a cabeça.

Entre todos esses acontecimentos, fiz uma prova de mestrado para uma universidade top na minha área. Foi a primeira vez que fiz uma prova relativamente tranquila. Não entrei em pânico, não botei aquilo num pedestal como se fosse minha única e última chance porque sei que nunca é. A gente gosta de achar que é, mas acredito que o que tem que acontecer, vai acontecer. Eu sabia que tinha estudado para aquilo, algumas coisas mais e outra menos. Sabia que o resultado seria de acordo. Fiz o que pude dentro de todo o estresse do acidente do meu pai e do estresse emocional com meu namorado. Agora só estou esperando o resultado que sai na próxima segunda-feira (torçam por mim!).

No final das contas, joguei nas mãos do universo sem tentar controlar muito as coisas. No dia seguinte da prova, meu irmão e meu namorado chegaram em Salvador para passearmos e nos curtir. Eu sabia que podia ser um desastre para mim e para Marcos (namorado), mas o efeito foi oposto. A gente viveu o que com certeza vou elencar  na retrospectiva do final do ano como “melhores momentos de 2018”. Não fizemos planos muito engessados, subimos e descemos ladeiras aleatórias do pelourinho, fomos no mercado modelo, fizemos compras no shopping e tomamos banho de mar em Itapuã. Entre essas coisas, foram dados muito sorrisos. Coisas saíram do nosso controle (por exemplo, acabou a energia da casa que a gente estava e passamos calor durante a noite), mas mesmo assim a viagem foi excelente. 5 estrelas ao meu ver.

Acho que na vida a gente precisa aprender a entregar as coisas e a confiar no que o universo pode fazer por nós. Se libertar do controle. Não quero aqui entregar fórmula para a felicidade nem nada, muito menos dizer que todo mundo deve largar o que está sendo difícil. Precisamos continuar batalhando pelos nossos objetivos, dar o nosso melhor e simplesmente tentar fazer as coisas funcionarem para nós da maneira que mais faz sentido pra gente. Tenho feito isso. Não sei se estou fazendo certo, mas sei que o medo não tem sido o que me rege na minha vida e isso depois de muito tempo que isso foi uma verdade para mim.

Reflexões

So this is the new year

Ano novo, vida nova. Todos gostamos de pegar carona nessa energia mundial de recomeços para tocar para frente os nossos planos, projetos, metas e afins, porém esse ano resolvi fazer algo diferente para os meus padrões. Resolvi começar algumas das minhas metas já em dezembro de 2017. Peguei toda aquela ansiedade horrível que estava sentindo entre novembro e dezembro e comecei a pensar no lugar que queria chegar e como eu queria estar quando chegasse lá. 2017 talvez tenha sido o ano MAIS CONSCIENTE das coisas que estavam acontecendo a minha volta que eu já vivi na minha vida e, apesar das dificuldades, agradeço a ele por me dar força e me empurrar para frente mesmo quando as coisas estavam exaustivas.

Resolvi começar a colocar as metas para acontecer logo em dezembro do ano passado porque li certa vez que começar vários hábitos de uma vez era algo mais difícil para o seu cérebro assimilar e que muito provavelmente você iria acabar deixando muitas delas de lado e ficar desanimado por não estar conseguindo atingir o que queria, acabando por virar uma bola de neve. Acreditei nisso e há um mês ou menos venho plantando coisas que quero cultivar em 2018, sempre com a mente aberta para uma resposta como o não. 2017 me ensinou muito sobre essa história do o que tiver que acontecer, vai acontecer e acho que isso tira muita pira desnecessária da nossa cabeça.

Tem sido interessante fazer isso porque pela primeira vez na vida comecei a quebrar minhas metas e criar um planejamento (namorem virginianos) de como posso atingi-las. Desde o ano passado venho fazendo minha própria agenda e acho que agora ela pegou formato de bullet journal, mas não achem que é a coisa linda que o pessoal posta nas redes sociais kkkk. Nele eu faço tracking de várias coisas além das metas diárias como exercícios físicos, páginas lidas por dia, se meu intestino tá funcionando de forma regular (tmi). Apesar de sempre ter tido pouca paciência para essas coisas DIY, pintar e fazer umas gracinhas nesse caderno tem me deixado muito leve e muito tranquila e já me peguei pensando que gostaria de aprender tricô.

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As coisas que quero tricotar

Não vou entrar muito em detalhes sobre todas as minhas metas do ano novo, mas tenho uma palavra para me guiar em 2018 e essa palavra é coragem. Coragem para cuidar de mim, coragem para sair da zona de conforto, coragem para pedir perdão e coragem para perdoar também. O mundo está doido e a gente precisa muito ser forte para lidar com toda essa onda de intolerância, ansiedade, FOMO e muitas outras coisas. Há muito tempo venho me maltratando por não sentir que estou vivendo minha vida da maneira que ela deve ser vivida, mas ontem tive uma conversa com as minhas amigas e elas disseram que sentiam a mesma coisa. A gente nunca vai conseguir acompanhar todos os livros, todas as notícias, todos os vídeos e balancear isso com uma vida saudável que inclua estudos, trabalho, amor, amizade e família.

Por causa desse pensamento, esse ano resolvi pegar leve com as minhas metas e parar de colocar no papel coisas como perder 5 kg e coisas assim. Fui ontem na academia e me inscrevi, fiz avaliação física e descobri que estou com 10 kg só de gordura no corpo. A instrutora me perguntou onde eu queria chegar na academia, se queria o corpo do verão, etc, e eu só disse olha, eu poderia dizer para você que quero ser a sarada (que merda de palavra é essa kkk), ter bundão e tudo mais, mas na real eu só quero parar de me sentir cansada o tempo todo e quero ter força para fazer coisas diferentes sem ter medo de me quebrar toda. Falar isso em voz alta foi terapêutico para mim e pela primeira vez descobri que era o que eu realmente pensava (não falei para parecer cool ou me cobrar para aceitar meu corpo). Há muito tempo que deixei de seguir gente fit, só o assunto de gente fitness me dá enjoo e faz eu querer me enfiar em um buraco para nunca mais sair. Minha resolução em relação a isso é ser saudável, permitir que meu sangue seja bombeado pelo corpo todo só porque meu músculo cresceu, sabe? Isso dentro de uma resolução de ano novo que é me amar mais.

Acho que a gente precisa parar um pouco de esperar essa grandes datas de mudanças de ciclo para começar o que de fato queremos. Se você tem a ideia de andar todo dia com seu cachorro, não espere a segunda-feira para começar. Comece hoje na sexta-feira mesmo e pegue toda essa vontade, essa ideia que você teve para executá-la porque como disse Pitty em toda sabedoria não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar, não deixe nada para a semana que vem porque semana que vem pode o tempo chegar. Isso também virou uma das minhas resoluções de ano novo. Faça, mas faça agora. Tem um tom de ordem porque às vezes porque preciso ser dura comigo mesma para conseguir fazer minhas coisas. Adapte e faça o que funciona pra você. Não vai se arrepender. É isso.

Feliz ano novo! ❤

Reflexões

Amigos para a vida toda

Apesar de ter feito a retrospectiva de 2017 no post passado, parei para pensar nos pontos que errei feio esse ano e hoje decidi que quero falar de um deles que vem me perseguindo desde 2015. Já há algum tempo percebi que não sou muito boa em cultivar minhas amizades, mas esse grande insight veio agora no final do ano observando muito do que foi minha vida nesse ano que passou e dos momentos marcantes que tive e que, opa, não incluíram grande parte desse grupo de amigos que tenho como amigos para a vida toda.

É engraçado que eu ainda tenho como referência de melhores amigos da minha vida as pessoas que estudaram comigo no colégio. Pessoas que depois que entrei na universidade passei a ver uma vez por ano e não compareci a duas ou três reuniões grandes que eles fizeram nesse meio tempo de 6-7 anos. Simplesmente porque achei que não importava eu estar lá, a amizade ainda existia intacta e como sempre foi.

Todos sabemos que precisamos cuidar das pessoas que a gente escolhe como amigos, mas o que a gente não sabe é que não é preciso tanto quanto a gente acha que é. Meu namorado fala que o bem mais precioso de uma pessoa é o tempo e ele está certo. Quando alguém cede pra você um tempo na quinta-feira à noite para jogar um jogo de tabuleiro ou cede a última sexta-feira do ano para jogar conversa fora no barzinho com você, você pode saber que é especial. E quanto mais frequência você tem nesse tipo de encontro, mais especial você é porque quer dizer que pessoas querem estar na sua companhia, que você é divertido e que estar com você é uma certeza de que terão um bom momento juntos. Ninguém questiona, a gente só vive.

Eu passei anos afastada dessas pessoas. Não cedi meu tempo para elas enquanto universitária simplesmente porque a graduação em engenharia me esgotou de um jeito tão absurdo que quando eu chegava no final de semana, só queria deitar, dormir ou fazer algo leve. Hoje vi que durante esse tempo da minha vida cometi vários erros de procrastinação, de não cuidar da minha saúde física, de ignorar o amontoado de inseguranças que eu tinha, de não cuidar da minha cabeça e que, talvez, sair com esses amigos teria sido uma válvula de escape maravilhosa e uma maneira de manter tanta gente querida por perto. Enfim. Não aconteceu e não quero transformar isso em um muro das lamentações. Como todo ser humano, cometi erros e esse é um erro que me custa um pouco caro quando vejo o pessoal se reunindo paralelamente sem eu ter sido avisada ou algo do tipo. Choices.

Ontem, depois de muito pensar se iria dar certo, me reencontrei com alguns desses amigos que não via há muito tempo. Fomos só cinco de um grupo grande e eu estava preparada para ser um grande fiasco, me sentir awkward e prometi para mim mesma que se o encontro fosse ruim, reescreveria de uma forma engraçada. Não foi ruim. Na verdade, foi excelente. Percebi que todo mundo se sentia por fora da vida um do outro e a gente foi simplesmente falando dos últimos acontecimentos na vida de cada uma das pessoas da nossa lista de amigos porque sempre tem alguém que sabe mais da vida de outra pessoa porque é mais próximo. É engraçado pensar que o menino que me beliscava na escola hoje já tem MBA, o que eu ficava zoando por causa do sotaque hoje se tornou médico, que outra amiga ficou noiva de um americano e outra teve um bebê. Foi uma conversa muito enriquecedora e muito divertida.

O que pude notar ali na mesa daquele barzinho e dividindo minha comida com um desses amigos foi que mudamos bastante, mas que na essência a gente é aquele mesmo grupo de adolescentes que ficava brincando de pega-pega, saia para tomar sorvete na orla ou ia comer no Burguer king depois da aula. A essência, meus caros, não muda e por causa dessa essência e desse cultivo de quando éramos tão jovens, hoje temos um laço que é meio difícil de destruir por mais que o tempo passe. Foi ali que tive a certeza que sempre será gostoso reencontrar aquelas pessoas e que eu queria mais disso. Eu queria elas por perto. E por mais que não exista isso de recuperar o tempo perdido, acho que o melhor pensamento que essa saída de quatro horas me trouxe foi: o que posso fazer daqui para frente para manter esse pessoal por perto?

Acho que uma boa forma de montar novas resoluções de ano novo é criando perguntas em cima dessas metas. Por exemplo, quero ter uma rotina de exercícios físicos. Como pretendo fazer isso? Quero ficar em dia com os assuntos do mestrado. Como vou me organizar? E por aí vai. Além disso, é bom anotar do lado o que cada meta pode trazer de bom pra você em um aspecto geral das coisas porque fica mais fácil de fazê-la acontecer.

Em relação às minhas amizades, já tenho as respostas de como fazer acontecer.
Como disse Charlie Brown Jr “uma palavra amiga, uma notícia boa, isso faz falta no dia a dia”. E assim a gente vai fortalecendo os laços com quem realmente importa.
Cuidem das suas amizades. ❤

PS: isso não quer dizer que pessoas que eu conhecer ao longo da minha vida não podem se tornar grandes amigas. Podem sim. E acho que a gente sempre deve olhar em frente e tocar a alma de quem a gente conseguir. 

Reflexões

2017, obrigada.

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Tinha me preparado para fazer uma retrospectiva por semana dividida por temas (viagens, pessoas, arte/cultura e quem fui em no ano de 2017) aqui no blog, mas a preguiça tomou conta e apesar de ter rascunhos guardados no wordpress, não irei mais seguir com isso porque, de repente, já estamos na última semana do ano. Entretanto, sabendo quem sou, não gostaria de deixar de escrever a minha retrospectiva do ano de 2017, afinal, é muito bom poder chegar no arquivo do blog, diário, etc, e perceber o quanto conquistamos, perdemos e aprendemos durante um ano, até mesmo para servir de consulta para os próximos anos quando a gente achar que a vida está difícil demais e pudermos simplesmente olhar pra trás e agradecer ou perdoar tudo o que nos aconteceu.

2017 foi um ano doido. Foi um ano que conheci alguns dos meus limites de trabalho, que aperfeiçoei minha maneira de lidar com pessoas, que me envolvi em vários projetos, que conheci pessoas incríveis, que me decepcionei com tantas outras, que me encontrei com as minhas amigas de internet, que conheci mais o meu namorado, que virei tutora de TODAS AS MATÉRIAS DA ESCOLA do meu irmão, que li pouco, que viajei para quatro lugares, que ouvi poucas músicas, que apreciei a companhia dos meus pais, que fiquei tempo demais no celular, que estagiei, formei e que ainda estou tentando entender o que é esse limbo pós-formatura. Foi o ano que também passei no mestrado na minha universidade.

OUT
Foi o ano que aprendi que andar de bicicleta é maravilhoso para a cabeça, que aprendi a cozinhar mais coisas,  que voltei a estudar alemão, que comecei a estudar francês, que cheguei à exaustão, que descontei a ansiedade em comida e engordei bastante, que chorei porque achava que não ia conseguir dar conta, que vi gente se desenvolvendo por minha causa e que aprendi mais sobre amizade em tempos difíceis. Foi um ano que abracei muito meus doguinhos.

SET

2017 foi um ano incrível. Na somatória das coisas foi um ano de muitas conquistas. O que acho incrível porque foi exatamente esse o pedido que eu tinha feito na virada do ano. Até então eu achava que não havia conquistado nada (o que é ridículo, mas ok), mas ter em mente que era isso que eu queria me fez dar outra perspectiva para as coisas que estavam acontecendo. Se eu pudesse dar uma dica, peçam 3 coisas, anotem essas três coisas para não esquecer e trabalhem para conseguir isso. O máximo e o melhor que vocês puderem (respeitando seus limites) e eu garanto que tudo vai valer à pena.

Sejam gratos, gente, mas de coração pelas coisas que vocês conseguem e pela saúde das pessoas que vocês amam porque o universo nunca falha em te recompensar com a gratidão com vários pores do sol (na nova ortografia, é esquisito HAHA), abraços de cachorros e amigos por perto.

NOv
Para quem perdeu alguém importante esse ano ou sabe que não há mais muito tempo: eu não perdi ninguém, mas minha melhor amiga está passando por um dos piores anos da vida dela. Se apeguem à família de vocês, aos amigos mais próximos, count on them e desejo muita paz no coração de vocês. Muita mesmo. Se livrem de quem não ajuda, não conforta e não acrescenta. This too shall pass. ❤ Muito amor pra vocês e meu mais sincero abraço (mesmo que virtual).

Feliz Natal e Feliz Ano Novo (caso eu não volte aqui até o ano que vem)! ❤