Diário, amor e cozinha

Sinto falta da época que eu sabia entrelaçar melhor as informações dos meus textos. Não sei se foi a universidade que moldou minha forma de escrever para algo absolutamente direto ou se esse é mesmo o meu estilo, mas eu queria mesmo saber escrever de uma forma mais poética ou até mesmo dar mais voltas para explicar algo com muito embasamento em arte. Talvez meu cérebro não seja programado para isso, mas só queria deixar aqui meu descontentamento mesmo. 

Minha semana foi particularmente puxada e várias coisas saíram do meu controle, peguei birra da minha agenda que ficou extremamente bagunçada e feia e terminei o dia de ontem com uma dor no pescoço ameaçando uma torcicolo. Nada que me atingisse de forma dolorosa emocionalmente, mas as vezes a somatização das responsabilidades e do tanto de coisa que surge durante o dia e até mesmo pequenos atritos (e bestas!) no dia a dia com quem a gente convive já são o suficiente para derrubar a gente um pouquinho. Faz parte.

Hoje, entretanto, acordei sentindo uma paz de espírito enorme. Não sei porque, afinal, trouxe trabalho para fazer em casa e isso tira um pouquinho da animação, mas foi o sentimento que guiou meu dia quase inteiro. Tomei um café-da-manhã calmo na minha cama, liguei para o meu namorado e depois para minha mãe e passei a manhã inteira conversando com eles. Andei na vizinhança até o mercadinho e me apaixonei por um apartamento que tem atrás do meu só por causa da varanda (saudades da minha rede!). Estou, inclusive, pensando em ligar para saber mais informações. Almocei uma marmita saudável que custou 11 reais (e que vai dar para eu comer duas vezes), fui na academia fazer 30 min de esteira para aliviar a tensão e depois que cheguei em casa resolvi uns probleminhas. Quando terminei de resolver as coisas, tomei um banho quentinho e coloquei Julie e Julia para assistir no netflix.

Queria fazer um adendo aqui que às vezes parece que o universo conspira ao nosso favor, né? Faz muito tempo que não assisto uma comédia romântica tão gostosa quanto Julie & Julia e achei que tinha tudo a ver com o momento que ando vivendo. Afinal, eu venho tentando mudar meus hábitos alimentares e parado de gastar com comidas de fast food e tudo mais. Inclusive, parece que meu corpo tem rejeitado essas coisas fazendo meu estômago embrulhar ou encher com muita facilidade.

Não é que esse seja um filme sobre se alimentar de forma saudável, mas sobre cozinhar com amor. Nunca fui uma grande entusiasta da cozinha, inclusive sempre fui uma inútil até observando minhas amigas cozinharem, mas de certa forma essa semana aconteceu um estalo na minha cabeça. Fiz uma sopa de mandioquinha com calabresa e acertei no tempero. Foi a coisa mais gostosa que já cozinhei e, de repente, entendi porque existiam pessoas apaixonadas por isso. É uma delícia descobrir sabores, comer uma comidinha feita por você e sentir que seu corpo agradece aquilo. Descobri que aquele tempo que você dedica na cozinha é traduzido por um único sentimento: o amor. Amor por você e amor para quem você cozinha. É um tempo que você tira para pensar nos seus sentidos e ouvir um pouco mais do que vem de dentro. É um tempo que exige paciência e calma porque nada que é feito com pressa fica tão gostoso quanto quando você está realmente atento em cada coisinha que coloca dentro da panela. O filme Julie & Julia deixa estampada essa relação entre o amor e a comida de forma muito clara e isso é possível de entender por as duas estão envolvidas por seus maridos, suas irmãs e seus amigos durante o filme inteiro. É muito fofo!

Não tenho pretensão de dizer que vou me dedicar 100% à arte da cozinha, mas senti uma vontade enorme de compartilhar sobre essa nova vontade de querer descobrir o que posso aprender a cozinhar e quem eu posso agradar com isso. No final das contas, happiness is only real when shared. ❤

 

 

 

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Fora do lugar

Hoje acordei querendo cuidar um pouco mais de mim porque senti que essa semana me deu um cansaço fora do normal. No trabalho, fiquei impaciente por nenhum motivo aparente, mesmo acontecendo coisas boas como o reconhecimento dos meus tutores pelo meu trabalho e ter me aproximando dos estagiários com conversas divertidas durante o café-da-manhã no refeitório da empresa. Senti um estalo de que algo não estava indo bem porque de quarta-feira para cá comecei a ter problemas de gases e dores nas pernas muito insuportáveis. Me dei conta de que passei a semana inteira jantando comidas sem valor nutricional algum, em um misto de salgadinhos torcida e bolachas com nutella. Meu corpo está sentindo o peso de tudo isso. Um exemplo da situação que estou vivendo é o cardápio que tive na quinta-feira:

  • Café-da-manhã: 1 Banana + 1 Pão com manteiga + 1 copo de café
  • Lanche: 2 castanhas do pará + algumas castanhas de caju + pipoca (é)
  • Almoço: Sushi
  • Jantar: Pão na chapa com manteiga + 1 xícara de café
    PS: Bebi pouquíssima água esse dia

30 minutos depois do jantar inventei de ir fazer funcional na academia pela primeira vez e meia-hora depois estava passando mal e me sentindo zonza. Voltei para casa e só aceitei que algo estava errado comigo. Conversei muito com meu namorado ontem e ele disse que não sabe muito bem o que dizer mais para mim porque eu dizia que ia começar a alimentar bem e SEMPRE enfiava o pé na jaca. Não tem um dia que eu não me descontrole e me sinto profundamente triste por isso porque fica aquela sensação de que não tenho controle, sabe? Comida sempre foi uma válvula de escape para a ansiedade para mim, mas dessa vez não sei de onde isso está vindo.

Não é como se eu estivesse me sentindo infeliz com a minha vida, pelo contrário. As coisas estão indo bem, os laços estão se fortalecendo, meu namoro vai indo bem, minha família está bem, em duas semanas verei minha mãe e minha madrinha e em três o meu namorado. Tenho conseguido pagar as contas e me divertir. What the fuck is happening?

Não dá pra saber se é ansiedade ou se é o fato de que tenho me alimentado mal e não esteja fazendo os exercícios físicos que prometi fazer. Sinto, inclusive, uma puta frustração por não seguir com isso direitinho na minha vida. Eu planejo mil vezes, vejo a grade de horário das aulas e digo todo começo de semana “essa semana vou seguir o plano: segunda – boxe, terça – musculação, quinta – funcional, sexta – musculação e no fds escolho caminhar no parque ou andar de patins”. Se vou duas vezes na semana é muito e daí começa um ciclo autodestrutivo de não me nutrir direito. Ando cansada e triste. Não sei muito bem o que está acontecendo, mas se alguém souber, por favor, me avise.

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Memórias me fazem querer voltar…

Fiz um bate-volta para Aracaju nesses últimos três dias e me encontro numa condição extremamente cansada, emocionalmente esgotada e morrendo de saudade das minhas pessoas, mas mesmo assim acordei oito horas da manhã desse domingo e quis logo arrumar o apartamento de forma que troquei as roupas de cama, varri os cômodos, guardei roupas e já coloquei outras para lavar. Estranhamente, a necessidade de colocar tudo de volta no lugar e, ao mesmo tempo, limpar e renovar as coisas me fez perceber que reconheço esse apartamento em Sorocaba como o meu lar.

Eu já sabia que a sensação de pisar na minha casa em Aracaju seria diferente. Os intercâmbios me mostraram que a gente se acostuma com um novo lugar sem ao menos perceber. De repente, seu antigo quarto te parece estranho e você leva um tempo até processar que aquela é a sua casa e seu refúgio do mundo. Foi no momento em que sentei na cama do meu quarto de Aracaju, olhando todas aquelas coisas que um mês e meio atrás eram muito minhas que senti que algo havia mudado. Me senti menos pertencente daquele quarto do que estava esperando. Até então, ainda achava que o apartamento que estou morando em Sorocaba era apenas da minha flatmate e, sim, ele tem muito mais coisas dela do que minhas, mas senti hoje, arrumando-o, que esse ambiente é tão meu quanto dela. Mais meu do que eu poderia ter me dado conta.

Minha manicure disse que mudei o jeito que estava me comportando, mais madura, e não sei o quanto disso era verdade, nem sei se é possível que isso aconteça após um mês e meio fora de casa, mas de alguma forma me sinto diferente. Encontrar minhas amigas foi uma delícia, de repente não me senti mais tão sozinha no mundo e percebi que se eu quisesse ter momentos melhores aqui em Sorocaba, eu não podia continuar minha vida esperando viver tudo o que precisava em viagens rápidas para Aracaju. Preciso me jogar aqui, mesmo que sozinha, para dar uma chance ao universo de conhecer novas pessoas e criar novos laços. Me dei conta, por mais boba que essa revelação seja, de que absolutamente nada vai acontecer na minha vida se eu continuar dentro da minha casa o dia inteiro.

Em relação ao reencontro com a minha família, foi maravilhoso sentir que meus pais vão estar aqui para mim a qualquer momento e que eles e meu irmão valorizam a minha presença de uma forma que não tinha me dado conta. Sou a amigona do meu pai e do meu irmão e a parceira da minha mãe, mesmo que lá eu tenha me deixado confortável para fazer uma bagunça absoluta no meu quarto (coisa que não acontece aqui). Senti a alegria deles pelo jeito que faziam questão de ficar perto de mim a ponto de conseguirmos almoçar juntos lá (sempre era um problema, cada um no seu horário). Também me dei conta que a saudade nunca vai passar. Ela diminui, mas vai estar sempre aqui para me pegar de surpresa nos lugares mais inapropriados (como aconteceu ontem no terminal II de Guarulhos).

Com o meu namorado, as coisas foram um pouco diferentes. Já vínhamos enfrentando questões passadas muito difíceis e a distância não ajudou muito. Fui com a expectativa de que tudo ficasse bem, mas não chegamos a conclusão nenhuma. Mesmo assim não desgrudamos nenhum segundo um do outro e agora me dei conta de que mesmo que esteja tudo difícil, nossa vontade de ficar junto é muito forte. Já deixei de acreditar que o amor cura e supera tudo há um tempo, mas preciso reconhecer que o amor segura muitas pontas que um relacionamento mais raso não segura e é nisso que me agarro com força.

Foram muitos aprendizados. Voltei cansada, mas feliz por saber que tudo está no lugar que deveria estar e aprendi que mesmo que eu ache que não estou controlando as coisas, estou tentando e essa é uma abordagem que te cansa muito porque você não percebe no momento. Foi bom me dar conta disso. Há certas coisas que não estão no nosso escopo de resolver e tudo bem. Vai passar. Tudo passa.

Quando a felicidade invade

Abri essa página em branco sem fazer a menor ideia do que iria escrever ou como eu queria que esse texto saísse, mas senti que era um texto para você. Sobre o meu amor por você. E por saber que esse sentimento é capaz de mover muita coisa sozinho, vou deixar que meus dedos transmitam o que meu coração está sentindo nesse exato momento.

Eu tenho uma tendência absurda a escrever sobre coisas que me machucam profundamente. Já tentei me afastar disso e confesso que venci a batalha do pessimismo diversas vezes desde a criação desse blog, mas quero que você saiba que durante anos os meus blogs, meus rascunhos e meus diários carregaram pesos que eu não conseguia mais suportar. Eu era uma pessoa muito mais insegura do que sou hoje e isso é possível enxergar lendo as páginas de diários antigos. Coincidentemente, desde que você chegou na minha vida, comecei a escrever menos nos meus diários e os textos pessimistas começaram a trazer uma perspectiva muito melhor.

No começo, achei que tinha algo me bloqueando, mas a verdade é que quando eu vivo coisas legais demais, tenho tendência a escrever textos muito pequenos e ruins porque se eu escrevo para “tirar” coisas da minha mente, os momentos MUITO bons não podem ser transcritos para o papel por causa do medo que sinto de esquecê-los. Uma bobagem minha, eu sei, mas talvez seja por isso que demoro tanto para escrever sobre as coisas boas que me acontecem. Comecei um exercício no começo do ano que abandonei onde eu escrevia todos os dias três coisas que me fizeram feliz naquele dia e logo deixei de lado. É engraçada essa tendência que tenho de guardar por escrito o que é ruim e deixar todo o meu sentir para o que é bom. Enfim.

O que quero dizer é que talvez seja a hora de escrever sobre você e sobre como dentro de tudo o que a gente já viveu, me sinto uma das pessoas mais sortudas do mundo por ser amada e poder amar dessa forma. Sobre como a alegria me contagiou desde então. Sobre como encontrei meu melhor amigo dentro do corpo do cara que eu amo. Sobre como as aventuras que a gente se mete são doidas e engraçadas e sobre como dormir com você me dá a sensação de que estou em casa (o que, já te disse, NÃO É FÁCIL). Além de tudo, como tudo isso que a gente tem só faz mais sentido com o passar do tempo mesmo com as dificuldades que a gente tem vivido. É importante ver sentido, é importante acreditar e todo santo dia eu agradeço a Deus por me colocar do lado de uma pessoa que me ensina tanto da maneira mais leve possível.

nós

É sobre esse tipo de sentimento e sensação que quero escrever a partir de agora. Sobre coisas leves. Sobre situações que me deixaram nas alturas. Sobre nosso amor. Sobre tudo de bom que já vivi e não registrei. Vai ser um trabalho difícil, mas eu garanto que daqui a alguns anos, quando a gente estiver no meio das nossas rotinas loucas e morando juntos, quando abrir o meu diário, meu blog ou sei lá o que, eu quero ser capaz de sentir a felicidade, o amor e a excitação que estava sentindo no momento que vivi nesses momentos.

Obrigada por esse infinito e essa felicidade clandestina.

Um mês em Sorocaba

Segunda-feira, dia 14, completei um mês morando em Sorocaba. Fico feliz de dizer que hoje minha vida se encontra mais dentro dos trilhos. Estou cada vez mais acostumada à rotina intensa e tentando dar o melhor de mim em tudo, me dedicando ao trabalho e, ao mesmo tempo, tentando cuidar de mim quando chego em casa (entrei na academia!). As novidades agora vem de dentro da rotina ou de quando descubro alguma coisa legal perto de onde moro. A saudade de Aracaju já não é algo que arde no meio da semana, apesar da vontade de estar lá começar a dar pontadas logo na sexta-feira à noite. Como hoje é sábado e estou sem perspectiva nenhuma de sair, a saudade bateu bem forte (sorte a minha que minha mãe e meu namorado não se importam de fazer vídeo-chamada em momentos aleatórios do dia).

Ainda não conheci ninguém a ponto de ter uma intimidade que me instigue a convidar para sair comigo e isso pesa um pouco nos finais de semana. Eu sempre gostei de ficar sozinha e isolada no meu quarto em Aracaju, mas isso porque eu sabia que tinha a escolha de estar com alguém ou não. Hoje não tenho mais essa escolha e dói um pouco se ver tão sozinha. Tenho encontrado um pouco de alívio nas tarefas domésticas, nas conversas com meus cactos ou ao ver receitas diferentes que não sei se vou fazer na internet. Às vezes me arrisco a ir no shopping só para ver as pessoas passando, entrar na livraria e sentir saudade do quanto eu conseguia ler ou dar uma olhada nas roupas. Nada demais.

Me acostumar à Sorocaba não foi tão difícil porque muitas coisas lembram meu intercâmbio na Alemanha. A empresa no meio de uma floresta, as caminhadas que preciso dar até chegar no meu departamento, o frio, a necessidade de me virar com o que tem para comer em casa, a cidade calma e cheia de parques verdes. Às vezes fecho os olhos, regresso para 2014 e sinto um quentinho no coração. Até no meu trabalho o foco é com algo relacionado ao que trabalhei no estágio que fiz na Alemanha, então tudo parece familiar, mesmo que na essência não seja. Em relação às pessoas, ainda estou formando minha opinião, mas em geral as pessoas são muito legais e simpáticas. Os ubers que peguei aqui todos possuem histórias legais para contar e parecem super interessados no que você está achando da cidade.

Minha vida não é um filme, mas ainda bem que quase todos os dias tenho episódios engraçados e a chance de rir muito com o pessoal da trabalho. Sei que aos poucos vou levando a vida e encontrando uma maneira de conhecer mais gente. Por enquanto tem sido uma caminhada um pouco solitária, mas tudo o que preciso é ter paciência mesmo.

 

Uma nova vida

São 07:35 da manhã do sábado e hoje está fazendo oficialmente duas semanas que cheguei em Sorocaba (SP). Foram duas semanas intensas, de adaptação em relação ao trabalho, aos horários, às pessoas, à cidade e a essa vida nova longe de tudo o que sempre foi familiar para mim. Me despedi da minha mãe no domingo passado e desde então tenho tentado conduzir minha vida sozinha por aqui. Até então tenho lidado bem,  mantendo meu quarto e tudo no lugar como nunca fiz na minha vida, mas na quarta-feira a saudade apertou como nunca tinha acontecido antes. Chorei antes de dormir levantando um monte de questões na minha cabeça do tipo “será que vou conseguir me conectar com alguém aqui?”, “será que vou voltar para Aracaju depois dessa oportunidade ou vou ficar aqui”? A ideia de que talvez eu não volte para Aracaju me dói e me deixa ansiosa, mas meus pais sempre me disseram, desde pequenininha, que a gente tinha que ir para onde as oportunidades nos levavam. Eu sabia que ia dar medo, sabia que ia doer (todo mundo fala sobre essa dor), sabia que ia sentir falta da minha família, meus amigos e meu namorado e, no entanto, estou aqui e a cada dia que passa percebo o quanto estou aqui, mais aqui do que em qualquer lugar.

Minha rotina durante a semana começa às 5:15h da manhã com o despertador. 5:40h pego o ônibus que pela graça de Deus para na frente do meu apartamento. 6:25h tomo o café da manhã da empresa e 7:00h já estou entrando na sala e pegando a primeira mesa vaga que vejo no meu setor. Apesar desse começo de dia ser repetitivo, as coisas mudam quando sento na mesa para trabalhar. Eu nunca fui tão produtiva na minha vida. Abro meu caderno e anoto tudo o que tenho para fazer e, como os prazos são sempre curtos, preciso correr contra o tempo para que eu consiga fazer tudo. São 8h intensas de trabalho que tem me deixado orgulhosa. Tenho feito o máximo para não levar trabalho para casa e tem funcionado. Tenho entregado tudo com antecedência e tentado orgulhar meus tutores. É cansativo, mas sei reconhecer o privilégio da oportunidade e quero aprender o máximo que puder ali dentro.


sol nascendo depois do café da manhã (blessed)

Obviamente quando chego em casa estou só o pó da rabiola. O ônibus me deixa no ponto 17:25h e 17:30h já estou em casa, tirando o sapato e me jogando na cama. Depois segue a rotina de tomar um banho, comer alguma besteira, assistir um pouco de Grey’s anatomy e esperar minha flatmate chegar em casa para fazermos o jantar juntas. Cozinhamos e conversamos sobre o dia, sentamos no sofá e mofamos lá. Quando dá umas 20:40h vou para o meu quarto ligar para o Marcos e meus pais, falar sobre o dia, até que dá umas 21:40, escovo os dentes e vou deitar. É isso. Não é nada emocionante, eu sei, mas por enquanto é o que tenho conseguido fazer. Mariana (flatmate) está tentando me estimular a me matricular na academia, mas só a ideia disso já acaba comigo. Sem brincadeira nenhuma, todo dia dou uma caminhada de 45 min em subidas e descidas na empresa por causa da distância dos setores. Talvez eu tenha mais energia nas próximas semanas. Ah, nas quarta-feiras retomei o alemão. Infelizmente a professora me fez regressar um nível e fiquei muito triste, mas se for para conseguir perder o medo de falar e melhorar meu conhecimento, vale a pena…

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O pessoal do trabalho é muito legal e gentil e, aos poucos, estou me aproximando da estagiária que chegou em fevereiro e também veio de outra cidade sozinha. Ela é uma fofa e gosta muito de conversar sobre mil coisas. Os almoços tem sido especialmente bons para poder me conectar com o pessoal do trabalho. Às vezes sento em outras mesas e puxo conversa com outras pessoas. Já conheci mecânicos e operadores de máquina muito simpáticos e que me desejaram muita sorte na nova jornada.

Sei que esse post é apenas a folha de um diário, não tem grandes inspirações e muito menos uma lição de vida, mas essa semana pensei no quanto queria escrever sobre essa adaptação e continuarei escrevendo sobre ela quando encontrar forças para escrever. Por enquanto, me sinto muito sozinha, mas vou ter fé no universo que na hora certa vou conhecer as pessoas certas e tudo vai se encaixar. É isso.

Stay strong. ❤

A jornada da autoaceitação

Desde que comecei a tomar consciência de quem sou e quem estou me tornando, percebi que sou refém de uma autoestima baixa. Essa semana isso foi comprovado quando meu namorado sugeriu que eu baixasse o Cíngulo (estou cheia de dicas esse mês kkk) no celular, um app que analisa como estão seus níveis emocionais no momento. Para a surpresa de ninguém, o que li naquela tela era que eu não só tinha uma autoestima baixa como também estava com a autoestima frágil. Acredito ser o combo da Era Millenial.

Com esse diagnóstico, achei engraçado o fato que venho consumindo MILHARES de conteúdos sobre autoestima na internet através de @s como a da Carol Garcia, Marci Marciano, GWS nos últimos meses e que, pelo visto, isso não tem dado conta dos danos que eu mesma causo/causei aqui dentro. Danos esses que, às vezes, em brincadeiras que faço com meus amigos e namorado são o mais puro reflexo das minhas inseguranças. Não é legal se chamar de FRAUDE em relação à profissão. Eu não me sinto uma fraude e continuo brincando disso. Não é legal dizer que acho meu nariz HORROROSO quando na verdade entendi que é genética e passei a aceitá-lo há anos e me sinto tranquila com ele. Há algo errado em tudo isso.

Em relação ao meu corpo, tenho consciência de tudo o que a mídia e os padrões de beleza fazem com a nossa cabeça. Já vi vídeos de pessoas usando o photoshop para uma pessoa dentro do padrão parecer mais perfeita ainda mais de uma vez. Já presenciei e fiz parte de conversas com amigas de todos os tamanhos possíveis inconformadas com o corpo dizendo coisas como “eu queria mais bunda”, “eu queria ficar mais malhada”, “essa gordura nas minhas costas me incomoda muito”, numa conversa infinita em que ninguém apreciava o que era bonito na outra, sendo apenas um disparate sem fim de críticas. Conversas que se repetem, mesmo que em menor quantidade, mas que fazem mal a ponto de eu estar bem com o meu corpo e ainda assim sentir necessidade de criticá-lo.

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Isso chegou a um ponto que não preciso me reunir com outras pessoas para ter esse tipo de conversa depreciativa comigo mesma sobre o meu corpo, sobre quem eu sou, sobre minha postura, meus hábitos e meus interesses. Enfim, sobre a minha essência. Parece que tudo ficou passível de crítica e depende da aprovação dos outros e aqui não estou não estou fazendo alusão a redes sociais, mas tão só a vida real mesmo. O mais engraçado é que meus amigos não tem noção da profundidade dessas inseguranças. Acho que o que me mantém seguindo em frente é o fato que muitas vezes eu ligo o foda-se e ajo como eu quero diante de situações e sempre estou fazendo graça das coisas. Torna tudo mais fácil, até porque meu medidor de sucesso sempre foi e sempre será a risada dos outros.

A maior prova desse “meter o louco” seguido de comiseração que está intrínseco a mim é que eu cortei o cabelo BEM curtinho ontem e, apesar de ter AMADO na hora que vi no salão e saí na rua sentindo a brisa na nuca, eu comecei a fazer brincadeiras dizendo que estava parecendo um menino e que o meu cabelo parecia um capacete. Às vezes realmente me dá essa sensação, mas o que custa dizer que achei lindo algo que fiz por mim? Que necessidade é essa de me fazer de coitadinha para os outros virem amaciar meu ego e dizer que ficou lindo? Por que eu preciso disso? Tudo faz parte da insegurança, eu sei, mas quero achar a raiz dessas coisas.

O que quero saber diante desse texto todo é: o que preciso fazer para trabalhar essa autoestima que é tão abalável e tão baixa? Se alguém tiver uma resposta, por favor, me avisa.