Quando a felicidade invade

Abri essa página em branco sem fazer a menor ideia do que iria escrever ou como eu queria que esse texto saísse, mas senti que era um texto para você. Sobre o meu amor por você. E por saber que esse sentimento é capaz de mover muita coisa sozinho, vou deixar que meus dedos transmitam o que meu coração está sentindo nesse exato momento.

Eu tenho uma tendência absurda a escrever sobre coisas que me machucam profundamente. Já tentei me afastar disso e confesso que venci a batalha do pessimismo diversas vezes desde a criação desse blog, mas quero que você saiba que durante anos os meus blogs, meus rascunhos e meus diários carregaram pesos que eu não conseguia mais suportar. Eu era uma pessoa muito mais insegura do que sou hoje e isso é possível enxergar lendo as páginas de diários antigos. Coincidentemente, desde que você chegou na minha vida, comecei a escrever menos nos meus diários e os textos pessimistas começaram a trazer uma perspectiva muito melhor.

No começo, achei que tinha algo me bloqueando, mas a verdade é que quando eu vivo coisas legais demais, tenho tendência a escrever textos muito pequenos e ruins porque se eu escrevo para “tirar” coisas da minha mente, os momentos MUITO bons não podem ser transcritos para o papel por causa do medo que sinto de esquecê-los. Uma bobagem minha, eu sei, mas talvez seja por isso que demoro tanto para escrever sobre as coisas boas que me acontecem. Comecei um exercício no começo do ano que abandonei onde eu escrevia todos os dias três coisas que me fizeram feliz naquele dia e logo deixei de lado. É engraçada essa tendência que tenho de guardar por escrito o que é ruim e deixar todo o meu sentir para o que é bom. Enfim.

O que quero dizer é que talvez seja a hora de escrever sobre você e sobre como dentro de tudo o que a gente já viveu, me sinto uma das pessoas mais sortudas do mundo por ser amada e poder amar dessa forma. Sobre como a alegria me contagiou desde então. Sobre como encontrei meu melhor amigo dentro do corpo do cara que eu amo. Sobre como as aventuras que a gente se mete são doidas e engraçadas e sobre como dormir com você me dá a sensação de que estou em casa (o que, já te disse, NÃO É FÁCIL). Além de tudo, como tudo isso que a gente tem só faz mais sentido com o passar do tempo mesmo com as dificuldades que a gente tem vivido. É importante ver sentido, é importante acreditar e todo santo dia eu agradeço a Deus por me colocar do lado de uma pessoa que me ensina tanto da maneira mais leve possível.

nós

É sobre esse tipo de sentimento e sensação que quero escrever a partir de agora. Sobre coisas leves. Sobre situações que me deixaram nas alturas. Sobre nosso amor. Sobre tudo de bom que já vivi e não registrei. Vai ser um trabalho difícil, mas eu garanto que daqui a alguns anos, quando a gente estiver no meio das nossas rotinas loucas e morando juntos, quando abrir o meu diário, meu blog ou sei lá o que, eu quero ser capaz de sentir a felicidade, o amor e a excitação que estava sentindo no momento que vivi nesses momentos.

Obrigada por esse infinito e essa felicidade clandestina.

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Um mês em Sorocaba

Segunda-feira, dia 14, completei um mês morando em Sorocaba. Fico feliz de dizer que hoje minha vida se encontra mais dentro dos trilhos. Estou cada vez mais acostumada à rotina intensa e tentando dar o melhor de mim em tudo, me dedicando ao trabalho e, ao mesmo tempo, tentando cuidar de mim quando chego em casa (entrei na academia!). As novidades agora vem de dentro da rotina ou de quando descubro alguma coisa legal perto de onde moro. A saudade de Aracaju já não é algo que arde no meio da semana, apesar da vontade de estar lá começar a dar pontadas logo na sexta-feira à noite. Como hoje é sábado e estou sem perspectiva nenhuma de sair, a saudade bateu bem forte (sorte a minha que minha mãe e meu namorado não se importam de fazer vídeo-chamada em momentos aleatórios do dia).

Ainda não conheci ninguém a ponto de ter uma intimidade que me instigue a convidar para sair comigo e isso pesa um pouco nos finais de semana. Eu sempre gostei de ficar sozinha e isolada no meu quarto em Aracaju, mas isso porque eu sabia que tinha a escolha de estar com alguém ou não. Hoje não tenho mais essa escolha e dói um pouco se ver tão sozinha. Tenho encontrado um pouco de alívio nas tarefas domésticas, nas conversas com meus cactos ou ao ver receitas diferentes que não sei se vou fazer na internet. Às vezes me arrisco a ir no shopping só para ver as pessoas passando, entrar na livraria e sentir saudade do quanto eu conseguia ler ou dar uma olhada nas roupas. Nada demais.

Me acostumar à Sorocaba não foi tão difícil porque muitas coisas lembram meu intercâmbio na Alemanha. A empresa no meio de uma floresta, as caminhadas que preciso dar até chegar no meu departamento, o frio, a necessidade de me virar com o que tem para comer em casa, a cidade calma e cheia de parques verdes. Às vezes fecho os olhos, regresso para 2014 e sinto um quentinho no coração. Até no meu trabalho o foco é com algo relacionado ao que trabalhei no estágio que fiz na Alemanha, então tudo parece familiar, mesmo que na essência não seja. Em relação às pessoas, ainda estou formando minha opinião, mas em geral as pessoas são muito legais e simpáticas. Os ubers que peguei aqui todos possuem histórias legais para contar e parecem super interessados no que você está achando da cidade.

Minha vida não é um filme, mas ainda bem que quase todos os dias tenho episódios engraçados e a chance de rir muito com o pessoal da trabalho. Sei que aos poucos vou levando a vida e encontrando uma maneira de conhecer mais gente. Por enquanto tem sido uma caminhada um pouco solitária, mas tudo o que preciso é ter paciência mesmo.