Reflexões

Um giro no mundo da internet

Aparentemente vem surgindo uma onda nos espaços da internet que frequento (twitter e newsletter) de pessoas cansadas da web que estão precisando de um descanso mental. Achei engraçado. Desde o final do ano passado venho tentando melhorar minha relação com as redes sociais e o mundo real. Se a gente for parar para pensar a fundo nos porquês das nossas postagens e compartilhamentos,  veremos que na realidade o ato de usar a internet virou algo automático e não muito reflexivo. A gente precisa postar, se integrar, mostrar nossa opinião. Queremos ter voz, queremos ser vistos e qual o melhor lugar para isso? A internet. É tudo muito fácil por aqui com todos esses likes e redes sociais interligadas. Por causa disso, estamos pagando um preço muito alto que não sei se vocês perceberam, mas é com a nossa saúde mental.

Nunca se falou tanto sobre ansiedade e depressão como nas redes sociais hoje em dia. Eu já tive gastrite nervosa e crises de ansiedade horríveis por sentir que não ia dar conta de fazer tudo e participar de tudo e, pior, ser a melhor nas coisas que eu me propunha. Balancear uma vida online e offline é para os fortes e acho que como a maioria das pessoas, eu não soube fazer isso. Quantas vezes deixei/deixo de sair com meus amigos para estar aqui na internet me informando? Ou me atualizando de uma série? Ou interagindo em blogs de discussão? A resposta é mais do que eu posso me dar conta.

Quando a gente para de ter contato humano direto, a coisa desanda, já perceberam? Pelo menos foi o que comecei a observar comigo. Os momentos que mais sinto paz de espírito no meu dia é quando saio para andar com os cachorros porque não levo meu celular e comprimento as pessoas na rua, solto um sorriso aqui e ali ou quando vou para a academia e fico conversando com o instrutor enquanto caminho na esteira olhando um coqueiro balançar. Nos fins de semana, estou me propondo ficar mais perto das pessoas que gosto ou mais aberta a conhecer pessoas novas. Há algo muito poderoso no momento que a gente abraça um amigo ou começa a fazer conexão com alguém que vai além da minha capacidade de explicar. A felicidade só é real quando compartilhada.

A Anna escreveu na newsletter dela dessa semana sobre como ela sente falta de uma internet sem uma quantidade absurda de ruído e como isso tem desgraçado a cabeça dela. Tem sido difícil para muita gente porque queremos seguir todo mundo que a gente gosta, estar por dentro, ser o mais antenado, escrever as coisas mais legais e ter o maior alcance possível. Isso é fato. Mesmo nas pequenas coisas os algoritmos condicionam a gente a isso. Quem nunca ficou triste por aquela foto que a gente achou que tinha ficado genial não ter tido a quantidade de likes que a gente queria? Ou aquele tweet que a gente achou lacrante que não teve a resposta do público?  Toda vez que abro o WordPress, ele me pergunta se não quero colocar um anúncio para monetizar o site, mas eu não quero.

Depois que os blogs e sites são monetizados, as coisas começaram a parecer mais do mesmo para mim. Existe uma pressão tão doida para estar por dentro, para ser o primeiro a falar sobre determinado assunto, para lançar aquele texto que vai fazer todo mundo ficar “oohh” que as coisas perderam a graça. Você tem 30 booktubers falando sobre o mesmo livro, 60 sites escrevendo sobre aquele filme que acabou de ser lançado mostrando 345 pontos de vista diferentes e, no final das contas, a gente acaba lendo mais sobre essas opiniões do que de fato se divertindo ao assistir ou ler sobre alguma coisa. Isso quando a gente não se sente paralisado com A QUANTIDADE DE COISAS que precisamos acompanhar para estar por dentro. A internet está caminhando para uma implosão e gosto da ideia de que essa implosão pode levar a gente para os primórdios dos blogs simples, mas vamos aguardar, posso estar errada.

Esse continua sendo meu único jeito de desabafar : Foto

Eu não quero ser a pessoa ranzinza que vai falar mal da internet porque assim como a Luiza Voll e a Anna falaram, ela me deu muitas coisas boas e me aproximou/aproxima de gente muito especial e legal. Acho que agora só precisamos remodelar como nos envolvemos com ela e a consumimos. Isso tem muito a ver com uma filosofia que vou adotar para o meu ano que é de go deeper, not wider. Basicamente, ela diz pra gente não ficar tentando expandir conhecimento ou afazeres o tempo todo, mas sim nos aprofundarmos em questões que já estamos interessados.  Vale a leitura do texto!

Esse post tá meio confuso, mas as referências são legais. É para não esquecer mesmo.

 

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Reflexões

A vida é engraçada do jeito que é

Ou: como não temos controle de nada

Serei aquele tipo de pessoa chata que vai falar sobre como o tempo já está passando rápido demais porque não sei se vocês perceberam, mas ele está. Já é 17 de janeiro e faz quase 15 dias que escrevi o primeiro post do ano. Me pergunto se isso é virar adulto: não perceber o tempo caminhando pra frente enquanto estamos sendo engolidos por prazos, vida social, trabalho, estudos, etc.


É engraçado como na vida a gente sempre acha que está sob controle de algumas coisas. Você já está conformado com a rotina, está estudando, sendo grato todos os dias (de verdade), amando sua família, seu namorado, seus bichinhos, lendo seus livros, desbloqueando crises internas e, de repente, bam, seu pai sofre um acidente carro mesmo sempre dirigindo a 40 km/h, você machuca os sentimentos do seu namorado, seu irmão é assaltado andando de bicicleta com o amigo e alguém bate no carro da sua mãe. Tudo isso em um período de duas semanas.

Adivinha só, a gente não tem controle de nada.

Em outras épocas talvez eu estivesse entrando em uma crise de ansiedade daquelas que a gente perde o ar e acha que vai morrer porque está com medo do que está por vir e estaria só me fechando dentro da minha bolha, ficando mais próxima ainda de quem eu amo e evitando toda e qualquer atividade fora de casa. Mas como disse, isso seria em outras épocas. Todos esses acontecimentos colocaram muita coisa sob perspectiva pra mim. Eu podia ter perdido a maioria das pessoas que amo logo em janeiro, mas escolhi ver o melhor lado da situação toda (e olha que não sou aquela pessoa good vibes que vê um lado positivo em tudo).

Cada vez mais acredito que tudo o que a gente sobrevive na vida é uma chance da gente melhorar como ser humano. Eu não sou religiosa, oscilo muito sobre o que acredito ou não, mas sei que acredito em energia, em reencarnação e, mais que tudo, cada vez mais acredito que a vida nos da chances de fazermos tudo dar certo. O que quer que seja fazer a vida dar certo. Esse ano ainda quero ir em algum centro espírita para ver se consigo encaixar as minhas visões de vida em alguma coisa. Acho que é importante a gente ter um grupo em que possamos sentir uma boa energia vibrando. Orar também é meditar, no final das contas, e meditar traz a calma que a gente precisa para a cabeça.

Entre todos esses acontecimentos, fiz uma prova de mestrado para uma universidade top na minha área. Foi a primeira vez que fiz uma prova relativamente tranquila. Não entrei em pânico, não botei aquilo num pedestal como se fosse minha única e última chance porque sei que nunca é. A gente gosta de achar que é, mas acredito que o que tem que acontecer, vai acontecer. Eu sabia que tinha estudado para aquilo, algumas coisas mais e outra menos. Sabia que o resultado seria de acordo. Fiz o que pude dentro de todo o estresse do acidente do meu pai e do estresse emocional com meu namorado. Agora só estou esperando o resultado que sai na próxima segunda-feira (torçam por mim!).

No final das contas, joguei nas mãos do universo sem tentar controlar muito as coisas. No dia seguinte da prova, meu irmão e meu namorado chegaram em Salvador para passearmos e nos curtir. Eu sabia que podia ser um desastre para mim e para Marcos (namorado), mas o efeito foi oposto. A gente viveu o que com certeza vou elencar  na retrospectiva do final do ano como “melhores momentos de 2018”. Não fizemos planos muito engessados, subimos e descemos ladeiras aleatórias do pelourinho, fomos no mercado modelo, fizemos compras no shopping e tomamos banho de mar em Itapuã. Entre essas coisas, foram dados muito sorrisos. Coisas saíram do nosso controle (por exemplo, acabou a energia da casa que a gente estava e passamos calor durante a noite), mas mesmo assim a viagem foi excelente. 5 estrelas ao meu ver.

Acho que na vida a gente precisa aprender a entregar as coisas e a confiar no que o universo pode fazer por nós. Se libertar do controle. Não quero aqui entregar fórmula para a felicidade nem nada, muito menos dizer que todo mundo deve largar o que está sendo difícil. Precisamos continuar batalhando pelos nossos objetivos, dar o nosso melhor e simplesmente tentar fazer as coisas funcionarem para nós da maneira que mais faz sentido pra gente. Tenho feito isso. Não sei se estou fazendo certo, mas sei que o medo não tem sido o que me rege na minha vida e isso depois de muito tempo que isso foi uma verdade para mim.

Reflexões

So this is the new year

Ano novo, vida nova. Todos gostamos de pegar carona nessa energia mundial de recomeços para tocar para frente os nossos planos, projetos, metas e afins, porém esse ano resolvi fazer algo diferente para os meus padrões. Resolvi começar algumas das minhas metas já em dezembro de 2017. Peguei toda aquela ansiedade horrível que estava sentindo entre novembro e dezembro e comecei a pensar no lugar que queria chegar e como eu queria estar quando chegasse lá. 2017 talvez tenha sido o ano MAIS CONSCIENTE das coisas que estavam acontecendo a minha volta que eu já vivi na minha vida e, apesar das dificuldades, agradeço a ele por me dar força e me empurrar para frente mesmo quando as coisas estavam exaustivas.

Resolvi começar a colocar as metas para acontecer logo em dezembro do ano passado porque li certa vez que começar vários hábitos de uma vez era algo mais difícil para o seu cérebro assimilar e que muito provavelmente você iria acabar deixando muitas delas de lado e ficar desanimado por não estar conseguindo atingir o que queria, acabando por virar uma bola de neve. Acreditei nisso e há um mês ou menos venho plantando coisas que quero cultivar em 2018, sempre com a mente aberta para uma resposta como o não. 2017 me ensinou muito sobre essa história do o que tiver que acontecer, vai acontecer e acho que isso tira muita pira desnecessária da nossa cabeça.

Tem sido interessante fazer isso porque pela primeira vez na vida comecei a quebrar minhas metas e criar um planejamento (namorem virginianos) de como posso atingi-las. Desde o ano passado venho fazendo minha própria agenda e acho que agora ela pegou formato de bullet journal, mas não achem que é a coisa linda que o pessoal posta nas redes sociais kkkk. Nele eu faço tracking de várias coisas além das metas diárias como exercícios físicos, páginas lidas por dia, se meu intestino tá funcionando de forma regular (tmi). Apesar de sempre ter tido pouca paciência para essas coisas DIY, pintar e fazer umas gracinhas nesse caderno tem me deixado muito leve e muito tranquila e já me peguei pensando que gostaria de aprender tricô.

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As coisas que quero tricotar

Não vou entrar muito em detalhes sobre todas as minhas metas do ano novo, mas tenho uma palavra para me guiar em 2018 e essa palavra é coragem. Coragem para cuidar de mim, coragem para sair da zona de conforto, coragem para pedir perdão e coragem para perdoar também. O mundo está doido e a gente precisa muito ser forte para lidar com toda essa onda de intolerância, ansiedade, FOMO e muitas outras coisas. Há muito tempo venho me maltratando por não sentir que estou vivendo minha vida da maneira que ela deve ser vivida, mas ontem tive uma conversa com as minhas amigas e elas disseram que sentiam a mesma coisa. A gente nunca vai conseguir acompanhar todos os livros, todas as notícias, todos os vídeos e balancear isso com uma vida saudável que inclua estudos, trabalho, amor, amizade e família.

Por causa desse pensamento, esse ano resolvi pegar leve com as minhas metas e parar de colocar no papel coisas como perder 5 kg e coisas assim. Fui ontem na academia e me inscrevi, fiz avaliação física e descobri que estou com 10 kg só de gordura no corpo. A instrutora me perguntou onde eu queria chegar na academia, se queria o corpo do verão, etc, e eu só disse olha, eu poderia dizer para você que quero ser a sarada (que merda de palavra é essa kkk), ter bundão e tudo mais, mas na real eu só quero parar de me sentir cansada o tempo todo e quero ter força para fazer coisas diferentes sem ter medo de me quebrar toda. Falar isso em voz alta foi terapêutico para mim e pela primeira vez descobri que era o que eu realmente pensava (não falei para parecer cool ou me cobrar para aceitar meu corpo). Há muito tempo que deixei de seguir gente fit, só o assunto de gente fitness me dá enjoo e faz eu querer me enfiar em um buraco para nunca mais sair. Minha resolução em relação a isso é ser saudável, permitir que meu sangue seja bombeado pelo corpo todo só porque meu músculo cresceu, sabe? Isso dentro de uma resolução de ano novo que é me amar mais.

Acho que a gente precisa parar um pouco de esperar essa grandes datas de mudanças de ciclo para começar o que de fato queremos. Se você tem a ideia de andar todo dia com seu cachorro, não espere a segunda-feira para começar. Comece hoje na sexta-feira mesmo e pegue toda essa vontade, essa ideia que você teve para executá-la porque como disse Pitty em toda sabedoria não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar, não deixe nada para a semana que vem porque semana que vem pode o tempo chegar. Isso também virou uma das minhas resoluções de ano novo. Faça, mas faça agora. Tem um tom de ordem porque às vezes porque preciso ser dura comigo mesma para conseguir fazer minhas coisas. Adapte e faça o que funciona pra você. Não vai se arrepender. É isso.

Feliz ano novo! ❤