Amigos para a vida toda

Apesar de ter feito a retrospectiva de 2017 no post passado, parei para pensar nos pontos que errei feio esse ano e hoje decidi que quero falar de um deles que vem me perseguindo desde 2015. Já há algum tempo percebi que não sou muito boa em cultivar minhas amizades, mas esse grande insight veio agora no final do ano observando muito do que foi minha vida nesse ano que passou e dos momentos marcantes que tive e que, opa, não incluíram grande parte desse grupo de amigos que tenho como amigos para a vida toda.

É engraçado que eu ainda tenho como referência de melhores amigos da minha vida as pessoas que estudaram comigo no colégio. Pessoas que depois que entrei na universidade passei a ver uma vez por ano e não compareci a duas ou três reuniões grandes que eles fizeram nesse meio tempo de 6-7 anos. Simplesmente porque achei que não importava eu estar lá, a amizade ainda existia intacta e como sempre foi.

Todos sabemos que precisamos cuidar das pessoas que a gente escolhe como amigos, mas o que a gente não sabe é que não é preciso tanto quanto a gente acha que é. Meu namorado fala que o bem mais precioso de uma pessoa é o tempo e ele está certo. Quando alguém cede pra você um tempo na quinta-feira à noite para jogar um jogo de tabuleiro ou cede a última sexta-feira do ano para jogar conversa fora no barzinho com você, você pode saber que é especial. E quanto mais frequência você tem nesse tipo de encontro, mais especial você é porque quer dizer que pessoas querem estar na sua companhia, que você é divertido e que estar com você é uma certeza de que terão um bom momento juntos. Ninguém questiona, a gente só vive.

Eu passei anos afastada dessas pessoas. Não cedi meu tempo para elas enquanto universitária simplesmente porque a graduação em engenharia me esgotou de um jeito tão absurdo que quando eu chegava no final de semana, só queria deitar, dormir ou fazer algo leve. Hoje vi que durante esse tempo da minha vida cometi vários erros de procrastinação, de não cuidar da minha saúde física, de ignorar o amontoado de inseguranças que eu tinha, de não cuidar da minha cabeça e que, talvez, sair com esses amigos teria sido uma válvula de escape maravilhosa e uma maneira de manter tanta gente querida por perto. Enfim. Não aconteceu e não quero transformar isso em um muro das lamentações. Como todo ser humano, cometi erros e esse é um erro que me custa um pouco caro quando vejo o pessoal se reunindo paralelamente sem eu ter sido avisada ou algo do tipo. Choices.

Ontem, depois de muito pensar se iria dar certo, me reencontrei com alguns desses amigos que não via há muito tempo. Fomos só cinco de um grupo grande e eu estava preparada para ser um grande fiasco, me sentir awkward e prometi para mim mesma que se o encontro fosse ruim, reescreveria de uma forma engraçada. Não foi ruim. Na verdade, foi excelente. Percebi que todo mundo se sentia por fora da vida um do outro e a gente foi simplesmente falando dos últimos acontecimentos na vida de cada uma das pessoas da nossa lista de amigos porque sempre tem alguém que sabe mais da vida de outra pessoa porque é mais próximo. É engraçado pensar que o menino que me beliscava na escola hoje já tem MBA, o que eu ficava zoando por causa do sotaque hoje se tornou médico, que outra amiga ficou noiva de um americano e outra teve um bebê. Foi uma conversa muito enriquecedora e muito divertida.

O que pude notar ali na mesa daquele barzinho e dividindo minha comida com um desses amigos foi que mudamos bastante, mas que na essência a gente é aquele mesmo grupo de adolescentes que ficava brincando de pega-pega, saia para tomar sorvete na orla ou ia comer no Burguer king depois da aula. A essência, meus caros, não muda e por causa dessa essência e desse cultivo de quando éramos tão jovens, hoje temos um laço que é meio difícil de destruir por mais que o tempo passe. Foi ali que tive a certeza que sempre será gostoso reencontrar aquelas pessoas e que eu queria mais disso. Eu queria elas por perto. E por mais que não exista isso de recuperar o tempo perdido, acho que o melhor pensamento que essa saída de quatro horas me trouxe foi: o que posso fazer daqui para frente para manter esse pessoal por perto?

Acho que uma boa forma de montar novas resoluções de ano novo é criando perguntas em cima dessas metas. Por exemplo, quero ter uma rotina de exercícios físicos. Como pretendo fazer isso? Quero ficar em dia com os assuntos do mestrado. Como vou me organizar? E por aí vai. Além disso, é bom anotar do lado o que cada meta pode trazer de bom pra você em um aspecto geral das coisas porque fica mais fácil de fazê-la acontecer.

Em relação às minhas amizades, já tenho as respostas de como fazer acontecer.
Como disse Charlie Brown Jr “uma palavra amiga, uma notícia boa, isso faz falta no dia a dia”. E assim a gente vai fortalecendo os laços com quem realmente importa.
Cuidem das suas amizades. ❤

PS: isso não quer dizer que pessoas que eu conhecer ao longo da minha vida não podem se tornar grandes amigas. Podem sim. E acho que a gente sempre deve olhar em frente e tocar a alma de quem a gente conseguir. 

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2017, obrigada.

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Tinha me preparado para fazer uma retrospectiva por semana dividida por temas (viagens, pessoas, arte/cultura e quem fui em no ano de 2017) aqui no blog, mas a preguiça tomou conta e apesar de ter rascunhos guardados no wordpress, não irei mais seguir com isso porque, de repente, já estamos na última semana do ano. Entretanto, sabendo quem sou, não gostaria de deixar de escrever a minha retrospectiva do ano de 2017, afinal, é muito bom poder chegar no arquivo do blog, diário, etc, e perceber o quanto conquistamos, perdemos e aprendemos durante um ano, até mesmo para servir de consulta para os próximos anos quando a gente achar que a vida está difícil demais e pudermos simplesmente olhar pra trás e agradecer ou perdoar tudo o que nos aconteceu.

2017 foi um ano doido. Foi um ano que conheci alguns dos meus limites de trabalho, que aperfeiçoei minha maneira de lidar com pessoas, que me envolvi em vários projetos, que conheci pessoas incríveis, que me decepcionei com tantas outras, que me encontrei com as minhas amigas de internet, que conheci mais o meu namorado, que virei tutora de TODAS AS MATÉRIAS DA ESCOLA do meu irmão, que li pouco, que viajei para quatro lugares, que ouvi poucas músicas, que apreciei a companhia dos meus pais, que fiquei tempo demais no celular, que estagiei, formei e que ainda estou tentando entender o que é esse limbo pós-formatura. Foi o ano que também passei no mestrado na minha universidade.

OUT
Foi o ano que aprendi que andar de bicicleta é maravilhoso para a cabeça, que aprendi a cozinhar mais coisas,  que voltei a estudar alemão, que comecei a estudar francês, que cheguei à exaustão, que descontei a ansiedade em comida e engordei bastante, que chorei porque achava que não ia conseguir dar conta, que vi gente se desenvolvendo por minha causa e que aprendi mais sobre amizade em tempos difíceis. Foi um ano que abracei muito meus doguinhos.

SET

2017 foi um ano incrível. Na somatória das coisas foi um ano de muitas conquistas. O que acho incrível porque foi exatamente esse o pedido que eu tinha feito na virada do ano. Até então eu achava que não havia conquistado nada (o que é ridículo, mas ok), mas ter em mente que era isso que eu queria me fez dar outra perspectiva para as coisas que estavam acontecendo. Se eu pudesse dar uma dica, peçam 3 coisas, anotem essas três coisas para não esquecer e trabalhem para conseguir isso. O máximo e o melhor que vocês puderem (respeitando seus limites) e eu garanto que tudo vai valer à pena.

Sejam gratos, gente, mas de coração pelas coisas que vocês conseguem e pela saúde das pessoas que vocês amam porque o universo nunca falha em te recompensar com a gratidão com vários pores do sol (na nova ortografia, é esquisito HAHA), abraços de cachorros e amigos por perto.

NOv
Para quem perdeu alguém importante esse ano ou sabe que não há mais muito tempo: eu não perdi ninguém, mas minha melhor amiga está passando por um dos piores anos da vida dela. Se apeguem à família de vocês, aos amigos mais próximos, count on them e desejo muita paz no coração de vocês. Muita mesmo. Se livrem de quem não ajuda, não conforta e não acrescenta. This too shall pass. ❤ Muito amor pra vocês e meu mais sincero abraço (mesmo que virtual).

Feliz Natal e Feliz Ano Novo (caso eu não volte aqui até o ano que vem)! ❤

Cabeça confusa (as always)

Uma coisa que eu não queria fazer com esse blog era transformá-lo num depósito de amarguras. Talvez eu tenha sido otimista demais considerando o meu padrão (escrever sobre tempos desesperados, medos e ansiedade), mas acho que é ok vocês saberem que eu só ando confusa com o que está acontecendo com a minha vida o tempo todo.

Depois que formei na faculdade não tenho entendido muito bem como manter a minha cabeça sã e mais leve. Parece que, mais do que uma pressão externa para arranjar um trabalho ou qualquer coisa, a pressão interna é duas vezes pior. Você fica se culpando por não estar fazendo nada, por estar usando o dinheiro dos seus pais, por não ter conseguido nada ainda, por achar seu currículo péssimo, por não ter virado o agente que move sua vida pra frente, sabe? Eu formei em um curso (engenharia de materiais) que o mercado ainda não faz ideia do que a gente faz, muito menos as pessoas, e foi só no final do curso que me dei conta disso. E só de escrever sobre isso deu uma vontade de dar uma choradinha aqui enrolada nas minhas cobertas.

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Desesperos a parte, eu resolvi que seguiria a carreira acadêmica e já passei no mestrado aqui na UFS, mas estou estudando para prestar em outros lugares e isso ao mesmo tempo que me dá um friozinho na barriga bom, me dá um medo desgraçado porque vou para longe da minha família, do meu namorado, da minha casa, dos meus amigos e tudo o que conheço tão bem. Crescer é muito estressante, gente. Daí eu só me sinto constantemente paralisada de medo e sem conseguir cuidar da minha cabeça. Eu não consigo passar um dia inteiro com a sensação que estou bem. Com exceção desse domingo maravilhoso porque me desafiei a dizer sim para várias coisas e acabei andando de bicicleta de manhã com meu namorado e meu irmão, depois fui pra piscina com eles, brinquei de dar mortais na piscina (LOGO EU) e no final da tarde fui pra uma feirinha de artesanato que tinha muita coisa linda.

Atualmente, o que tem me ajudado a sentir um pouco melhor é me abrir para o meu namorado sobre o que tá rolando na minha cabeça, escrever no meu diário e adquirir o hábito de andar de bicicleta em horários diferentes durante a minha semana, sempre fazendo o mesmo percurso. É um percurso lindo, já adianto pra vocês, ao redor dos lagos e da orla perto da minha casa. Eu e meu irmão fazemos pelo menos umas três vezes por semana 12 km de bicicleta e sempre nos deixamos apaixonar pelos finais de tarde passando entre os patinhos. Mas isso não tem sido suficiente. Eu preciso fazer mais, sempre mais. Saudades da época que eu me sentia perfeitamente bem só de assistir umas comédias românticas e ler um livro.

Como vocês lidam com esse tipo de coisa?

Segundas chances

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Um novo blog. Que loucura começar um blog do zero a essa altura do campeonato, pensei hoje de manhã enquanto tomava o meu café e comia meu pãozinho na chapa. Será que estou “velha demais” para recomeçar a escrever na internet? Provavelmente não. Minha geração gosta de dizer que já somos velhos demais para isso e aquilo, mas se formos ver, somos todos jovens sim. Frescos. Um pouco baqueados pela realidade, mas ainda assim frescos.

Eu gostava de escrever lá entre 2010-2014. Escrever, ao contrário de muitas amigas, nunca foi o meu forte e nunca foi essencial, mas descobri que esse ato me deixa sã, me deixa leve e me faz bem. A troca me faz bem. Por causa disso resolvi criar esse espaço. No momento minha vida está sofrendo uma transição. Sou recém-formada em Engenharia dos Materiais e estou disputando vagas em mestrados por aí. Voltei a estudar alemão, comecei a estudar francês e, como sempre, venho tentando entender cada vez mais esse desenvolvimento que vai me moldando sem eu nem perceber.

Antes eu falava que era fanática por comédias românticas, hoje nem tanto (não se fazem mais comédias românticas como antigamente e blablabla). Escuto menos músicas, toco violão raríssimas vezes e as leituras andam em baixa. Eu poderia dizer que não sei o que está acontecendo, mas sei. Virei refém das redes sociais e, principalmente, do whatsapp. E pode parecer desculpa, mas não é. Hoje, com o início desse blog, quero começar um projeto de me distanciar mais das redes e me aproximar mais de coisas reais que me fazem bem. Escrever é um ato de concentração e por isso estou aqui, voltando. Esse blog é uma resistência à modernidade que anda me fazendo mal.

Se eu for falar muito sobre mim, vão descobrir que no momento sou só ansiedade e angústia. Portanto, esse espaço também será uma terapia. Pra mim e até mesmo pra você que passa por algo parecido.

Vamos nessa?